Parece que as micro e pequenas empresas do estado de São Paulo finalmente entraram na rota do crescimento consistente.
Segundo os Indicadores Sebrae-SP, o faturamento real dos empreendimentos menores foi ampliado em 2,1% em fevereiro frente o mesmo mês do ano passado. Desta vez, foram as pequenas empresas de comércio que puxaram o bom desempenho, com alta de 4,1% no faturamento. O resultado ficou acima da média e também do faturamento da indústria (3,2% no período), fato que não ocorria desde novembro de 2002.
O desempenho da ótica Magistral, na Vila Mariana, confirma esses dados. De acordo com Mirian dos Santos Chaves, responsável pela loja, ao contrário de anos anteriores, quando as vendas em janeiro, pico do verão, crescem, neste ano o mês foi de retração. “Mas, surpreendentemente, fevereiro superou nossas expectativas, as vendas de janeiro e as do mesmo mês do ano passado”, afirma.
Segundo Mirian, o bom desempenho também permaneceu no mês de março, motivo de otimismo para as vendas futuras. “Embora nos próximos meses seja comum uma certa acomodação, estamos bastante otimistas que 2005 será um ano de bons negócios”, diz.
Futuro promissor – Mirian não está sozinha no otimismo. Na opinião de Pedro João Gonçalves, economista do Sebrae-SP, a expectativa é de continuidade do processo de expansão nos próximos meses. “Desde que a inflação continue controlada, não há nada em um horizonte próximo que possa indicar uma interrupção no crescimento das micro e pequenas empresas”, afirma Gonçalves.
Segundo o economista, o aumento de 3,4% no nível de pessoal ocupado em fevereiro frente o mesmo período de 2004 e de 4,9% na renda são motivos concretos para o otimismo. “As contratações mostram que os empresários apostam em crescimento para os próximos meses. Isso, somado à elevação da massa salarial do trabalhador, refletem na melhora da economia”, acredita ele.
A recuperação da renda, aliás, é citada pelo economista como primordial para a continuidade da expansão do faturamento dos pequenos negócios. Afinal, a melhora do mercado interno, aonde a maioria das micro e pequenas empresas está inserida, depende essencialmente dos salários.
Gonçalves lembra que, do universo de 1 milhão de pequenos negócios do estado de São Paulo, cerca de 40% são do segmento de alimentação, vestuário e construção civil, justamente os ramos mais dependentes da renda do trabalhador.
Espera interminável – Na contramão do bom momento porque passam indústria e comércio, o segmento de serviços ainda aguarda uma recuperação. Em fevereiro, mais uma vez o setor teve performance negativa, com queda de 5,2% no faturamento acumulado em 12 meses.
Na opinião dos economistas do Sebrae-SP, a recente recuperação da renda dos trabalhadores ainda não foi suficiente para compensar a perda ocorrida nos últimos anos. Esta é a razão, segundo eles, pela qual as pequenas empresas prestadoras de serviços ao consumidor final ainda apresentam um desempenho abaixo dos demais empreendimentos de igual porte.
“São aquelas ligadas diretamente ao consumidor, como salões de beleza, restaurantes e serviços de saúde, que ainda estão em compasso de espera”, afirma Gonçalves. Tanto que as empresas que atendem atacadistas ou mesmo indústrias, principalmente de serviços de armazenagem e transporte, já apresentam melhora no desempenho.
Patrícia Büll