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Pequenas também podem ter programas de qualidade de vida

Abrindo 2005 com o objetivo de divulgar tendências, provocar discussões e formar opiniões balizadoras de estilo de vida, padrões e ambiente saudáveis nas empresas, a Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV) adotou para este ano o tema “Qualidade de Vida – O quanto é possível nas pequenas, médias e grandes empresas”. Em sua primeira Reunião Mensal de 2005, que aconteceu no auditório do Sesc Paulista, a associação reuniu diversos profissionais para discutir o tema “Como promover os programas de qualidade de vida nas pequenas e médias empresas”, apresentado pelo vice-presidente da ABQV, Alberto J. N. Ogata.

Ogata abriu sua apresentação dando definições de pequena e média empresa: micro empresa é aquela que tem uma receita bruta de até R$ 433.755,14, com até 19 funcionários (indústria) ou 9 funcionários (serviços e comércio). Já a pequena empresa tem uma receita bruta anual de R$ 2.133,222,00, tem até 99 funcionários (indústria) ou 49 funcionários (serviços e comércio). Dados de 2002 apontam que 93,6% são micro empresas, 5,6% pequenas, 0,5 médias e apenas 0,3% das empresas brasileiras são de grande porte.

Segundo pesquisa americana realizada pela Health Promotion and Substance Abuse Prevention, 64% das empresas pesquisadas têm empregados doentes; em 87% das empresas havia pelo menos um fumante; em 73% pelo menos um trabalhador com ansiedade e depressão. Além disso, 90% dos empresários escutados pela pesquisa acreditam que o stress afeta a produtividade do empregado, 70% relatam que os empregados trazem problemas pessoais para o trabalho e 50% relatam que a incapacidade de resolver problemas pessoais podem comprometer a produtividade ou aumentar o risco de acidentes no trabalho.

Vendo este cenário, é mais do que preciso pensar em programas de qualidade de vida para as MPE's. Segundo Ogata, programas de qualidade de vida melhoram a produtividade, segurança, moral, satisfação do trabalhador e imagem da companhia, o que pode aumentar as vendas e os lucros. Este investimento ainda gera redução nos custos de assistência médica e menos problemas com absenteísmo, turnover, acidentes de trabalho, dependência química ou relacionados com saúde mental.

Entre as vantagens de se implantar programas pequenas empresas, são: gestor mais acessível, maior facilidade para planejamento e implementação de programas, maior facilidade para manutenção de ambientes limpos, organizados e com menor risco ambiental, menor necessidade de recursos para comunicação, interdependia entre empregados, entre tantas outras.

Ogata ressaltou que ainda há desafios a serem superados pelas MPE's. Sem dúvidas os impostos e taxas altas ainda são uma barreira para se pensar em qualidade de vida, fazendo com que exista uma baixa prioridade pelos gestores para o assunto. Além disso, existe a falta de tempo dos empregos, haja visto que parte dos empregados ficam tempo parcial, são terceirizados, temporários ou prestadores de serviços.

Ogata finalizou que o grande desafio será contornar a dispersão geográfica da força de trabalho, o maior número de empregados sem assistência médica, menor nível sócio-econômico dos empregados, além de ter de administrar baixas margens de lucro para investimentos em programas para empregados. Entre as estratégias sugeridas estão: atuar inicialmente com empregados de alto-risco e gradualmente incorporar o restante da força de trabalho; procurar soluções customizadas para cada empresa; desenvolvimento de soluções e programas específicos para a MPE; e procurar envolver entidades de classe.

Indel Bauru é exemplo

A reunião também contou com a apresentação do case “Gestão na Qualidade de Vida”, da Indel Bauru, empresa vencedora do Prêmio SESI Qualidade no Trabalho – Categoria Pequena Empresa. A apresentação foi feita por Eduardo Maio, gerente de marketing da Indel Bauru, e Alex Vicente de Carvalho, gestor de qualidade.

Com gestão baseada na relação de integração total entre direção e funcionários, a Indel Bauru se organiza sem uma hierarquia, ou seja, sem chefes, dando autonomia total às equipes. Atualmente conta com 60 empregados e mantém parceria com o presídio de Bauru, fazendo com que 70 presos componham a força de trabalho.

Em parceria com a Fiesp, oferece plano de saúde a seus funcionários, mantém programa de ergonomia e ginástica laboral, programa de segurança com a Cipa e programas de preservação do meio ambiente. Atualmente 54% dos funcionários têm nível médio de estudos e 5% são universitários, graças ao programa de educação da empresa. Além de horários flexíveis para estudos, a Indel Bauru ainda paga cursos de capacitação profissional.

Entre as ações promovidas ainda estão festas de final de ano, café da manhã, participação de funcionários em feiras de negócios, entre outros.

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