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Papai Noel mostra a carga tributária

Papai Noel vai desempenhar um importante serviço hoje no Pátio do Colégio. Distribuirá panfletos com os percentuais dos tributos incidentes nos presentes natalinos e nos artigos da ceia aos freqüentadores do local. A idéia é conscientizar a população sobre os impostos embutidos nos preços de todos os produtos adquiridos.

Para isso, também será montada no local a “feirinha do imposto”, um estande com uma série de produtos de uso no dia-a-dia da população e a indicação da incidência de impostos em cada um deles, com base em cálculos do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).

O ato marca a arrecadação de R$ 1 trilhão em tributos, a ser alcançada hoje, por volta das 13 horas. O valor poderá ser visto no Impostômetro, painel eletrônico existente na fachada da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), na Rua Boa Vista. A iniciativa é da ACSP e do IBPT.

Internet – O Impostômetro também pode ser visualizado pelo site www.impostometro.com.br. Com R$ 1 trilhão, seria possível construir mais de 73 milhões de casas populares, 82 milhões de salas de aula equipadas e 12 milhões de quilômetros de redes de esgoto.

Quem consegue fazer a conta? – Você sabe quantos dígitos tem 1 trilhão? Com tantos zeros, a conta de cabeça não é fácil. A cifra

R$ 1.000.000.000.000,00 tem 15 dígitos. Esse é o montante arrecadado em tributos pelo Brasil do dia 1° de janeiro de 2008 até hoje. A soma é inédita. Tanto que o Impostômetro, painel eletrônico que mostra a receita tributária em tempo real, precisou ser trocado neste ano. O anterior não comportaria tantos dígitos. O Impostômetro foi lançado em abril de 2005, quando a receita tributária era de R$ 732,864 bilhões. No ano seguinte, foi para R$ 817,938 bilhões e em 2007, chegou aos R$ 923 bilhões.

Para se ter uma idéia do gigantismo do montante recolhido neste ano, o tributarista e economista Gilberto Luiz do Amaral, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), responsável pelos números do Impostômetro, calculou que 140 milhões de quilômetros de notas de

R$ 1 deveriam ser alinhadas para se chegar a R$ 1 trilhão. Se as notas fossem colocadas lado a lado, ocupariam uma área de 11.900 Km² e cobririam 1.443.000 campos de futebol do tamanho do Maracanã.

“Assim como o Impostômetro, o valor de R$ 1 trilhão é importante, pois alerta a população de que ela contribuiu para essa arrecadação não como um favor, mas como uma obrigação. Ela se conscientiza da necessidade de cobrar o retorno desse pagamento em serviços públicos eficientes, como segurança, saúde, educação e infra-estrutura. Consciente, o brasileiro não fará apenas a crítica pela crítica”, diz o presidente da ACSP, Alencar Burti.

Presentes têm tributos escondidos – Apesar das medidas fiscais tomadas na semana passada pelos governos federal e estadual, o Papai Noel chega às casas dos brasileiros com o saco cheio de presentes com alta carga tributária. Aqueles com mais tributos embutidos nos preços são: o perfume importado, com 78,43%, jogos eletrônicos, com 72,18%, e moto de 250 cilindradas, com 64,65%, conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Os impostos incidentes sobre um perfume nacional não são muito diferente: 69,13% do custo final. Já aparelhos eletrônicos como iPod ou MP-3 pagam 49,45%.

Os tributos também são elevados para as bebidas tradicionalmente consumidas e dadas como presentes nesta época, como uísque, champanhe e vinho: 61,22%, 59,49% e 52,50%, respectivamente. Os típicos peru, chester, pernil e panetone carregam uma pesada carga tributária: de 29,32% a 34,63%.

Os enfeites natalinos chegam a ter 48,02% do valor final só de impostos. Na compra de uma árvore de Natal, 39,23% do preço pago é destinado aos cofres públicos; e na de um presépio, 35,93%. Natal sem luz não tem graça. Mas tem imposto alto. São 48,02% de tributos embutidos no custo dos pisca-piscas, além de 48,28% na energia elétrica. Quem deseja votos de feliz Natal e próspero ano novo aos amigos e familiares, contribui para que 37,48% do preço do cartão de Natal entre para os cofres públicos.

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