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Pacote do BC pode encarecer crédito para o consumidor

Guarulhos, 14 de outubro de 2002

A decisão do Banco Central (BC) de elevar os compulsórios sobre depósitos à vista, a prazo e poupança para conter a especulação com o dólar deverá restringir ainda mais o crédito ao consumidor. De acordo com o vice-presidente da Anefac, Miguel Oliveira, este impacto será percebido nas linhas mais populares oferecidas por grandes bancos de varejos, que têm forte atuação em depósitos à vista.

– Ainda não é possível medir de quanto será o impacto para o consumidor em termos percentuais porque os compulsórios têm efeitos indiretos sobre o crédito. Mas os bancos passarão a ser mais seletivos e restritivos – explica.

Oliveira, no entanto, não acredita que os juros cobrados sobre o cartão de crédito e cheque especial aumentem. Segundo ele, essas taxas já estão em patamares muito altos e, caso as instituições financeiras resolvam elevá-las ainda mais, correm o risco de ser atingidas em cheio pela inadimplência.

Nesta sexta-feira (11), o BC anunciou que vai aumentar de 48% para 53% a exigência de recolhimento de compulsórios sobre depósitos à vista, retirando R$ 2,3 bilhões do mercado. Nos depósitos a prazo, os compulsórios serão alterados de 18% para 23%, o que representará um recolhimento de R$ 6,4 bilhões a mais pelo BC. Já nos depósitos em poupança, este percentual passará de 25% para 30%, o que vai representar uma retirada de R$ 5,5 bilhões de circulação. A decisão faz parte de um pacote anunciado pelo governo para reduzir o poder de fogo das instituições financeiras para a compra da moeda americana.

Juliana Rangel