O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, não vê necessidade de o governo fazer uma emissão de títulos da dívida no mercado externo neste momento. Mesmo com o risco-Brasil abaixo dos 1.000 pontos. “Não tem por que ter precipitação”, disse Levy.
O secretário do Tesouro evitou comentar se a queda do risco-país deve ser interpretada como uma oportunidade para o início das captações. “O Banco Central tem conduzido essa área com extraordinária perícia”, disse o secretário.
Poucos recursos – Outro argumento citado por Levy para a não emissão de títulos é o baixo volume de recursos que terão que ser captados pelo governo em 2003. A previsão do Banco Central é de que as captações externas neste ano serão de US$ 3 bilhões.
Segundo ele, a continuação da queda do risco-país hoje é um sinal de que pode haver rapidamente uma redução ainda maior. Na avaliação do secretário, a aprovação do Projeto de Emenda Constitucional, PEC, do artigo 192, que trata da regulamentação do sistema financeiro, vai contribuir para esse movimento de queda do risco e melhorará os indicadores da economia brasileira.
Levy destacou a “capacidade de coesão” que existe hoje no País, que, na opinião dele, tem contribuído para esse cenário positivo da economia. “Com essa coesão, todos caminhando na mesma direção, as coisas vão se somando”, disse.
Melhora – Com o encaminhamento e aprovação das reformas da Previdência Social e tributária, o secretário do Tesouro espera uma melhora ainda mais substancial do risco país. A reforma da Previdência, destacou, trará mudanças essenciais na área social e fiscal do País e a reforma tributária garantirá maior eficiência para a economia.
“Tendo sucesso nas reformas, vamos mudar o ambiente. O efeito disso na taxa de juros é formidável”, afirmou. Levy diz que a economia poderá crescer mais do que os 2,2% previstos pelo Banco Central este ano. “Se as reformas passarem e a dinâmica da inflação continuar favorável isso ajuda a economia a crescer mais”.
Para o secretário do Tesouro Nacional, o melhor entendimento dos investidores estrangeiros em relação às políticas que estão sendo adotadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também contribui para a queda.
Levy esteve na última semana na Europa, onde manteve encontros com investidores. “Quando explicamos como fizemos o ajuste do balanço de pagamentos e mantivemos a economia crescendo, quando isso é entendido, dá um estalo”, disse Levy, comentado a reação dos investidores.