O Brasil está numa situação demográfica favorável e “o importante é aproveitar agora esse quadro positivo para promover o desenvolvimento econômico “, alertou o professor José Eustáquio Diniz Alves, coordenador do curso de pós-graduação da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE (ENCE-IBGE), durante palestra na reunião de conjuntura da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
No momento, ele acredita que a maior ameaça é o câmbio. “O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) ajuda, mas ainda não estamos pegando para valer essa onda.”
A China, que desfruta de uma evolução demográfica semelhante, já está surfando em águas de prosperidade. “Sua política cambial (que favorece as exportações), juros baixos, investimentos produtivos e sociais” consegue tirar vantagem do chamado bônus demográfico”, disse.
O quadro positivo brasileiro se caracteriza pelo fato de que, ao contrário do que se imagina, está caindo o número de adolescentes que têm filhos, a taxa de fecundidade está desacelerando em todas as regiões do Brasil e faixas sociais – caiu de 6,2 filhos por mulher em 1940 para 1,8 em 2006 –, o País não será dos idosos em 2050 e até 2030 a População em Idade Economicamente Ativa (PIA) deverá representar a maioria do povo brasileiro.
Dependência – O “bônus” demográfico expressa o momento em que menos gente depende de um número maior de pessoas em idade de trabalho (PIA). Um exemplo: em 1900 para cada 100 pessoas em PIA, havia 90 dependentes. Em 2000, essa relação caiu para menos de 50 por 100.
Vários fatores contribuíram para essa mudança: queda na taxa de mortalidade infantil, queda no analfabetismo, melhorias na saúde, urbanização, entrada das mulheres no mercado de trabalho e a queda da fecundidade, que despencou no século 20. “Se a taxa ficar em 2,1 filhos por mulher, registrada em 2006, a população ficará estável. Acima disso a população vai crescer e abaixo deverá declinar”, explicou.
O professor mostrou que a taxa de fecundidade vem caindo desde os anos 1970 em todas as classes e regiões pesquisadas. Ele apresentou as três projeções populacionais para o Brasil de 2050. Se a taxa de fecundidade subir para 2,4 filhos por mulher, seremos 300 milhões em 2050; se for de 1,85, seremos 253 milhões; e se não passar de 1,35, os brasileiros serão 210 milhões. “Tudo indica que ficaremos abaixo de 2,1 filhos por mulher.” Assim, em 2050 metade da população estará apta para o trabalho, criando muitas oportunidades econômicas.
O número de idosos vai crescer, mas não tanto. Na média, as pessoas com 65 anos ou mais, que eram 9,5 milhões em 1980, serão 50 milhões em 2050. As pessoas com mais de 80 anos vão saltar de 1,6 milhão (2000) para 14 milhões (2050). Isso abrirá importantes oportunidades de negócios, sobretudo se os jovens que hoje estão na PIA souberem se preparar para o futuro, com atitudes como o investimento em fundos de aposentadoria. “As empresas que hoje fabricam iogurtes, por exemplo, terão que pensar mais em produtos para idosos”, disse.