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Pãozinho, porco e frango ficam mais caros

A alta no preço do milho e do trigo no mercado externo vai afetar diretamento o bolso dos consumidores. Frango, carne de porco e pãozinho ficarão mais caros. A previsão de especialistas do setor é que o reajuste do pãozinho aconteça nas próximas semanas e do frango e da carne de porco nos próximos três meses.

O analista de mercado agrícola, Adriano José Timossi, da FNP Consultoria & Comércio, explica que na safra de milho do ano passado houve uma oferta muito grande, de 41,5 milhões de toneladas e, por isso, os produtores acreditavam que este ano poderiam fazer a plantação em uma área menor.

“Quando perceberam que a estiagem no Rio Grande do Sul , no começo do ano, poderia afetar a produção, acharam melhor aumentar a área de plantio e acabaram se dando mal. Pois, eles não conseguiram ocupar todo o espaço com o milho e saíram no prejuízo”, diz Timossi.

“As rações para galinhas e porcos são basicamente compostas por milho. O porcentual de milho chega a 70%. E é por esse motivo que o frango e a carne de porco ficarão mais caras.”

Timossi comenta que os preços do frango e da carne de porco devem começar a aumentar em outubro, quando os comerciantes começarem a receber as mercadorias mais caras.

Ele ressalta que a safra de milho de verão acontece em janeiro e que em 2001 foram colhidas 35,58 milhões de toneladas. “Este ano já percebemos uma forte queda, a colheita foi de 29,28 milhões de toneladas. Uma queda de 18%. Queda que preocupa o setor.”

O analista diz que este período do ano é a época da colheita da segunda safra de milho, a safrinha, e que as estiagens no Sul devem pressionar ainda mais os preços. “Essa safra também deve pressionar os preços.”

Pão mais caro nas próximas semanas

Os derivados de trigo devem subir nas próximas semanas porque os moinhos brasileiros estão pagando mais caro pelo produto. E com isso, o pãozinho ficará mais caro.

Além da valorização do dólar, que aumenta os custos em reais, eles enfrentam problemas junto aos exportadores argentinos, que vêm segurando parte dos estoques. Isso força uma alta no preço do trigo, já que a Argentina é o principal fornecedor do Brasil. Outras fontes, como Estados Unidos e Canadá, não puderam amenizar a situação, pois praticam preços mais altos Em janeiro, a tonelada de trigo chegava aos portos brasileiros por US$ 110 e agora custa US$ 160.

Outro fator que pressiona o custo da farinha de trigo é o atraso da safra brasileira. No Paraná, maior produtor do País, a colheita deve começar em setembro, em vez de agosto, por causa da estiagem.

THAÍS ANDRIOLI

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