ACE-Guarulhos

Otimismo no setor de embalagens

O setor de embalagem recuperou o otimismo. A indústria interrompeu uma seqüência de resultados negativos e obteve expansão de 2,71% em produção física no segundo trimestre deste ano, panorama que não era registrado desde dezembro de 2004, encerrando o semestre com crescimento de 1,15% em relação ao mesmo período do ano passado

O cenário para este ano – com expectativas de aumento da demanda interna de bens de consumo, materiais de construção e insumos agropecuários – deve permitir que o setor feche 2007 com crescimento de 1,8%, acima da expectativa conservadora inicial de 1,2%, divulgada no início deste ano.

De acordo com estudo da Associação Brasileira de Embalagem (Abre), realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (Ibre/FGV-RJ), a indústria de embalagens de metal – responsável por 27% do faturamento do setor – foi a que registrou melhor desempenho na produção física no segundo trimestre, com crescimento de 5,17% em relação ao mesmo período de ano passado.

Em seguida, com 30% de participação, veio a indústria de embalagens de plástico, com alta de 3,15%. Em terceiro lugar, ficou o segmento de vidros, com 9% de participação e 2,14% de expansão. Já o de madeira andou na contramão e registrou queda de 10,4%.

Já a categoria papel, papelão e cartão cresceu 1,86% no segundo trimestre e 1,85% no primeiro semestre em relação aos períodos correspondentes de 2006. De janeiro a junho deste ano, a subcategoria chapas de papelão ondulado – que representa apenas 5,5% do segmento – foi a que apresentou maior expansão, de 12%.

“Isso mostra uma retomada da atividade econômica por parte das empresas de menor porte, pois são elas que consomem as chapas de papelão, as pré-caixas”, diz o coordenador de análises econômicas do Ibre/FGV-RJ, Salomão Quadros.

Por outro lado, as caixas de papelão ondulado, que respondem por 41% do volume de vendas, tiveram alta de 2,6%. “Diferentemente do ocorrido em outros trimestres, houve crescimento forte e disseminado entre quase todos segmentos da área de embalagens”, ressalta Quadros.

Os campeões – A utilização de embalagens, no primeiro semestre do ano, concentrou-se basicamente nas indústrias de perfumaria, sabões, detergentes e produtos de limpeza, com taxa de crescimento de 9,08%, de bebidas (7,15%) e de alimentos (3,26%).

No mesmo período de 2006, era a indústria farmacêutica a maior responsável pelo consumo desses produtos, com 6,52% de expansão. No acumulado deste ano, o aumento de produtos para esse setor foi de apenas 0,59%. “A importação de insumos farmacêuticos cresceu muito no último ano, encurtando a cadeia produtiva no país”, lembra Quadros.

Comércio exterior – Considerando-se os resultados do primeiro semestre, as exportações diretas de embalagens tiveram um crescimento bastante expressivo em relação ao mesmo período de 2006, com aumento de 40,65% e faturamento de US$ 228 milhões.

A compra no mercado externo de embalagens metálicas foi 55,7% superior em relação ao primeiro semestre do ano passado, movimentando US$ 81 milhões. Desse montante, US$ 45 milhões vieram de metais comuns, como as rolhas, tampas e outros acessórios. “Essa expansão pode elevar a receita de exportação do setor de US$ 376 milhões, como foi em 2006, para US$ 500 milhões este ano”, estima o analista.

Já a importação de embalagens vazias teve expansão menor que a exportação (26%) em relação ao mesmo período do ano anterior, registrando faturamento da ordem de US$ 159 milhões. Os produtos plásticos foram os que mais entraram no país, movimentando US$ 106 milhões.

“Apesar do crescimento das importações, o setor continuará sendo superavitário. Fato que se repete pelo quarto ano consecutivo”, considera o coordenador do Ibre.

Sair da versão mobile