ONU começa a discutir o “Fome Zero Global”
Representantes de mais de 97 países participaram nesta segunda-feira, 20, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, da reunião “Ação Mundial contra a Pobreza e a Fome”, onde foram discutidas propostas para financiar o desenvolvimento e ações sociais em países pobres. O encontro, marcado na véspera da Assembléia Geral da ONU, contou com a presença de chefes de Estado e de Governo, que atenderam o convite feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o apoio do primeiro-ministro da Espanha, José Zapatero e dos presidentes da França, Jacques Chirac, e do Chile, Ricardo Lagos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a oportunidade para propor que os países usem o potencial da globalização no combate à fome e à pobreza. “Quantas vezes ainda será necessário repetir que a arma de destruição em massa mais destrutiva hoje no mundo é a pobreza?”, questionou Lula durante a conferência “Dimensão Social da Globalização”, patrocinada pela Organização Mundial do Trabalho.
Mais de 50 líderes, a maioria de países em desenvolvimento, reconheceram que o livre-mercado estimula o crescimento. Mas, para eles, a globalização também acentuou a desigualdade entre ricos e pobres, e contra isso é necessário uma campanha mundial.
“A miséria e a fome são prisões que consomem a vida de mais de um bilhão de mulheres, homens e crianças”, destacou o presidente francês, que opinou ainda que os países desenvolvidos não podem ser “cúmplices” disso, especialmente em uma época como a atual, de riqueza e progresso.
O norte-americano George W. Bush foi convidado, mas não compareceu. Hoje, ele discursa na Assembléia Geral. Sichan Siv, representante norte-americano na ONU, defendeu como resposta correta no combate à pobreza menos governo, menos regulação e mais liberdade política e econômica.
Mais de 1 bilhão de pessoas vivem na miséria no mundo, ou seja, sobrevivem com menos de um dólar ao dia. O problema mais grave ocorre na África subsaariana, onde atinge 300 milhões de pessoas. Estima-se que seriam necessários US$ 50 milhões para combater a fome e a miséria no mundo. A cúpula sobre a miséria deve terminar com uma declaração dos países sobre a adoção de um programa “Fome Zero mundial”.







