O governo agora vai tentar dominar a CPI
Derrotado na intenção de impedir a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denuncias de corrupção dos correios, o governo tenta agora uma nova estratégia. Segundo o líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) a luta agora será para obter a presidência e a relatoria da CPI.
“Se não der para ter as duas, preferimos a relatoria. Não descartamos nenhuma manobra regimental, até porque outras CPIs serão instaladas, como a do setor elétrico na Câmara, que é muito importante”, acrescentou. A CPI que investigará as denúncias de corrupção nos Correios conseguiu 235 assinaturas de deputados e 52 de senadores, número suficiente para ser instalada. A relação dos parlamentares que assinaram o requerimento será publicada no Diário Oficial do Congresso. Somente depois que os líderes indicarem os membros, a comissão poderá ser instalada.
Punição para petistas – O fracasso da operação montada pelo governo abriu uma crise no PT. Chinaglia pediu ontem punição para os deputados petistas que assinaram o pedido de CPI. “É lamentável. Foi uma atitude muito grave do ponto de vista partidário”, reclamou. “Eu, como dirigente, não aceito isso.”
Dos 14 deputados petistas que assinaram o pedido de CPI, dois estão livres da ira dos dirigentes: Antônio Carlos Biscaia (RJ) e Virgílio Guimarães (MG) tinham entregado ao líder Chinaglia documento em que negavam o apoio à CPI. No Senado, apenas Eduardo Suplicy assinou o pedido de CPI. O presidente do PT, José Genoino, disse que não quer falar sobre uma provável punição para eles, para não transformá-los em vítimas. “Nesse processo o governo, o PT e as bancadas foram vítimas desses companheiros”, afirmou Genoino.
Desistências – O governo admitiu o fracasso à meia-noite de quarta-feira. O partido que mais retirou assinaturas foi o PTB. No PT, dos 19 deputados que assinaram, apenas seis concordaram em retirar o apoio à CPI. Dos 39 do PMDB, 22 decidiram não retirar. No PV, os seis deputados mantiveram as assinaturas. No PPS, o número de apoios caiu de 17 para 11 e, no PL, de 11 para cinco.
Presidente do PPS, o deputado Roberto Freire disse que a atitude é uma reação contra a deterioração política no trato com a coisa pública. E, se ela fosse abortada, avalia, haveria uma desmoralização completa da política e dos políticos. . Já o deputado Alberto Fraga (sem partido-DF) aproveitou a oportunidade e pediu à Corredoria da Câmara a abertura de um processo contra o Deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ)por quebra de decoro parlamentar.
Repercussão – Quem ganha e quem perde com essa CPI? Na opinião do cientista político Zairo Cheibub, o caso arranha ainda mais a imagem já desgastada da elite política brasileira e a lista dos que perdem é extensa. Nela estão o Congresso, o governo e a sociedade, que mais uma vez é forçada a enfrentar uma rotina de acusações e sujeira. O desgaste atinge a imagem do presidente Lula? Cheibub acha difícil: “Não sei bem como ele tem conseguido manter isso, mas até agora muito pouca coisa atingiu o presidente.” ( Agências )







