O setor de construção civil está em sua melhor fase. Em outubro, bateu recorde dos últimos 22 anos com 8.850 unidades lançadas na região metropolitana de São Paulo. De janeiro a outubro foram colocadas no mercado 27.609 unidades. As vendas aumentaram, totalizando 28.103 unidades comercializadas na capital paulista de janeiro a outubro deste ano. Esse número representa 26,23% a mais do que o mesmo período do ano passado. O balanço foi apresentado ontem pelo Sindicato da Habitação (Secovi-Sp).
A expansão do crédito imobiliário foi um dos fatores que aqueceu o setor junto com a queda dos juros e os prazos maiores de financiamento. De janeiro a outubro, foram financiados R$ 14,1 bilhões, 87,5% mais contratos do que no mesmo período do ano passado. A perspectiva é de encerrar o ano com R$ 18 bilhões (190 mil moradias negociadas).
“A participação do total de financiamentos imobiliários representou apenas 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2004, enquanto que nos Estados Unidos foi de 69% e na Espanha, de 46%. Isso mostra que temos muito a crescer nesse setor”, disse o presidente do Secovi-SP, João Crestana. Outro indicador foi a entrada de 19 empresas no mercado de ações, com a captação de R$ 13,8 bilhões.
Apesar do aquecimento do setor, a perspectiva é mudar o foco para o ano que vem. De acordo com dados do Secovi, o índice de Venda Sobre Oferta (VSO), que em setembro e outubro foi, respectivamente, de 26% e 19%, deve fechar o ano entre 15% e 16%. Isso, segundo Crestana, deve fazer com que 2008 seja decisivo na mudança de oferta de produto e de público consumidor.
Dados mostram que menos de 50% dos imóveis lançados em São Paulo custam menos de R$ 180 mil. Em 2008, o alvo devem ser os imóveis abaixo desse valor. Para Crestana, o crescimento sustentável do setor vai depender da migração do mercado imobiliário para os produtos econômicos. “Esse processo deve começar no ano que vem”, disse.