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Natal barato

Um dos raros favorecidos pelo dólar baixo que aquece as importações, o setor de supermercados espera bater o recorde histórico de vendas de produtos voltados para o Natal neste ano. A expectativa é vender 35% a mais que o registrado em 2006, quando o volume negociado foi 30% maior que em 2005. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) prevê ainda 11% a mais nas vendas neste quarto trimestre sobre o mesmo período do ano passado. “O setor está muito otimista”, disse o presidente da Associação, Sussumo Honda.

A desvalorização cambial que fortalece o real agracia o varejo em dois pontos: mantém custos baixos nos importados e força para baixo os preços dos produtos nacionais. Significa o aumento do poder de negociação dos varejistas com a indústria. “Se a empresa fala em aumento, a resposta é que o preço do produto de fora está menor, e a negociação pára por aí”, disse Honda, ontem, no lançamento da pesquisa anual de expectativas de negócios para o Natal da Abras.

A Associação não tem a medida exata do volume de produtos importados que será vendido daqui até o final deste ano. De acordo com Honda, depende do setor. No de tênis, por exemplo, quase 100% do que está à venda nos supermercados vêm de fora, principalmente da China”, afirmou.

Além do aumento do faturamento com a importação, Honda diz que outro fator positivo para a expansão das receitas é o crescimento do valor da cesta de compras dos consumidores. O índice médio nacional passou de R$ 198,94 em janeiro deste ano para R$ 218,81 em setembro. “Entra na conta também a volta da classe C para o consumo neste ano”, observou Honda.

De olho nesse aumento de vendas de final de ano, a pesquisa da Abras, realizada com 55 empresas que representam mais de 50% do faturamento do setor, mostra que 65% dos entrevistados fizeram encomendas superiores às de 2006, enquanto 33% mantiveram o mesmo volume. Os demais 2% informaram que diminuíram seus pedidos.

O crescimento dos negócios de final de ano acompanha o aquecimento do varejo desde o início de 2007. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados, as vendas reais – com desconto da inflação – nos supermercados aumentaram 0,54% em setembro sobre agosto. Em relação a setembro de 2006, elas tiveram expansão 5,37%. Já no acumulado do ano, o crescimento é de 6,46% em relação aos primeiros nove meses de 2006. Os índices foram deflacionados pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que em setembro teve variação de 0,18%. Em vendas nominais, setembro cresceu 0,72% sobre agosto deste ano e 9,74% na comparação com setembro de 2006. No acumulado do ano, o aumento chegou a 10,11%.

O setor faturou no ano passado R$ 124 bilhões e deve crescer 6,5% neste ano.

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