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Nível de produção em alta exige investimento

A despeito de janeiro ser considerado um mês fraco para o setor produtivo, a indústria operou com 82,3% de sua capacidade instalada. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), desde 1992 não se via um início de ano com nível de utilização da capacidade instalado tão alto. O recorde anterior foi em janeiro de 2001, quando o indicador atingiu 80,4%.
“O alto aproveitamento do parque produtivo no início de ano, período sazonalmente fraco, já sinaliza que o investimento em máquinas e equipamentos é tema prioritário para este ano”, afirmam os técnicos da CNI. Eles destacam, inclusive, que essa é condição necessária para garantir a continuidade do crescimento da atividade industrial ao longo de 2005.

Estoques – Na opinião do economista Alex Agostini, da GRC Visão, além do cenário internacional continuar positivo, a indústria aproveita esse período de desaquecimento para recompor estoques. “Mas isso não reflete em aumento de vendas”, diz. Prova disso é que, pela pesquisa Indicadores Industriais, as vendas reais diminuíram 1,97% sobre dezembro de 2004. E cresceram 3,13% sobre janeiro do ano passado.

“Em apenas um ano de aquecimento da economia, as indústrias alcançaram níveis recordes de capacidade instalada. O que só mostra que a demanda por investimento era, e ainda é, muito grande”, explica Agostini.

Ele diz, ainda, que a política adotada pelo Banco Central desde setembro do ano passado – de aumento da taxa básica de juros (Selic) – ainda não se refletiu nos investimentos, que ocorreram ao longo de todo 2004, mas possuem um “período de maturação”. “O investimento só irá se refletir no alívio da capacidade instalada em um prazo de, no mínimo, dois anos”, informa o economista.

Contradições – Se é verdade que os juros altos ainda não frearam os investimentos, também é verdade que trouxeram outros efeitos negativos. Um deles foi a redução no ritmo de negócios do setor, como mostram os dados de janeiro. Segundo os técnicos da CNI, “desde setembro de 2004, quando começou a trajetória de alta da Selic, as vendas industriais acumulam queda de 4,2%”.

Entretanto, o desaquecimento parece não ter alterado as perspectivas positivas para o longo prazo. Tanto que o nível de emprego aumentou 0,27% em janeiro na comparação com dezembro de 2004. “Essa é a 13ª alta consecutiva do indicador, que acumula uma expansão de 7,3% nos últimos 13 meses”, informam os economistas da Confederação das Indústrias.

Acompanhando a tendência do emprego, o aumento dos salários reais foi de 0,18% no mês de janeiro na comparação com dezembro. Já em relação a janeiro do ano passado, os rendimentos dos trabalhadores da indústria aumentaram 10,48%. A CNI destaca, ainda, que os ganhos dos profissionais do setor encontram-se em um processo de crescimento há quase dois anos. Entre abril de 2003 e janeiro de 2005, a expansão foi de 17%.

Patrícia Büll

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