Não basta vontade para empreender
O Brasil ocupa a sétima posição entre os países mais empreendedores do mundo. A classificação leva em conta que 11,3% dos brasileiros entre 18 e 64 anos estavam, em 2005, envolvidos com algum tipo de negócio com até três anos e meio de existência. Apesar desse desempenho posicionar o País entre aqueles que mais criam novos empreendimentos no mundo, a performance não deve ser vista isoladamente.
De acordo com os resultados de 2005 da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada pela inglesa London Business School e a norte-americana Babson College, a motivação do brasileiro para criar um negócio ainda está muito ligada à sua necessidade de sobrevivência. Tanto que o País ocupa a quarta posição no ranking de empreendedorismo por necessidade. Já quando a motivação é a oportunidade, ou seja, que advém da percepção de que o empreendimento tem potencial de sucesso, a classificação do Brasil cai para o 15º lugar.
“O Brasil deveria investir mais em programas de aprimoramento, para melhorar a qualidade do empreendedor por oportunidade”, diz a coordenadora técnica do GEM no País, Simara Greco, do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), responsável local pela pesquisa.
O estudo coordenado por ela aponta que mais de 80% dos brasileiros consideram que abrir um negócio é uma opção desejável de carreira. Mesmo assim, a despeito do sonho recorrente de ser seu próprio patrão – e do empreendedorismo característico do brasileiro – a mortalidade entre as novas empresas locais ainda é muito alta.
Mortalidade – Levantamento do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae/SP) aponta que 56% dos novos negócios abertos no estado – cujo total chega a ser superior a 12 mil unidades mensais – morrem antes de completar cinco anos, exemplifica o consultor da entidade, Guilherme Campos. E 29% deles não vivem para comemorar o primeiro aniversário. “Hoje, a principal causa da mortalidade é o comportamento empreendedor pouco desenvolvido. O empresário precisa se preparar para abrir um negócio”, afirma Campos.
Empreendimentos bem sucedidos do mundo todo têm no comando pessoas com pelo menos dez características comuns, conforme levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU). São virtudes que sinalizam caminhos básicos para quem pensa em ser seu próprio patrão, comenta o consultor do Sebrae.
O levantamento aponta, por exemplo, que pessoas com comportamento empreendedor buscam oportunidades e têm iniciativa. “Quem pensa em montar um negócio tem que se perguntar se conhece aquele ramo de atividade. E se não conhece, precisa correr atrás das informações”, explica Campos. Empresários e associações do ramo, além da internet, são alguns dos caminhos para se conhecer o mercado e auferir se a idéia para o negócio é uma oportunidade efetiva e se o produto oferece algum diferencial.
O empreendedor bem sucedido também é alguém disposto a correr riscos calculados. “Se alguém vai abrir um negócio, tem que se perguntar se está disposto a correr riscos; se está preparado para isso e para ter controle das informações, para reduzir os riscos e controlar os resultados das decisões”, aconselha o consultor.
Perseverança – Para ser seu próprio patrão é preciso estar ciente da necessidade de correr atrás do sucesso e estar disposto a suportar uma grande mudança de vida. Nem todas as pessoas apresentam características típicas de um empreendedor, ressalva Campos. Na opinião dele, no entanto, o comportamento empreendedor pode ser desenvolvido a partir de muita informação, treinamentos e leitura.
Muitos empresários de sucesso já viveram a experiência de abrir um negócio e quebrar em pouco tempo. O principal, segundo o consultor do Sebrae-SP, é ter determinação.







