ACE-Guarulhos

Movimento de passageiros cresce 25,9% em Cumbica

O Aeroporto Internacional André Franco Montoro, em Guarulhos, apresentou no mês de janeiro o maior crescimento no número de passageiros entre todos os aeroportos do Estado. 25,9%, passando de 1.555.075 de pessoas no primeiro mês de 2007 para 1.958.142 no mesmo período deste ano.

Congonhas, em contrapartida, apresentou uma considerável queda de 39% na quantidade de passageiros, de 1.559.409 para 950.954 na mesma base de comparação. Os dados são do Banco de Dados da Agência de Desenvolvimento de Guarulhos (Agende).

“O motivo da queda verificada em São Paulo é a transferência de vôos para Cumbica, providência tomada após o desastre de julho em Congonhas”, explica Marcelo Chueiri, coordenador técnico do Banco de Dados, se referindo ao Airbus A380 da TAM que não conseguiu frear na pista de Congonhas em 17 de julho do ano passado, causando a morte de 200 pessoas na maior tragédia do setor aéreo na história do país.

O comparativo entre meses específicos é mais acurada do que entre dois meses consecutivos, já que o primeiro leva em conta o fator sazonalidade, ou seja, há períodos do ano em que a quantidade de viagens é maior, como em dezembro e janeiro, devido às férias escolares.

“Com o acidente, mudou o padrão da aviação brasileira. Foi uma mudança forçada que deverá permanecer por muito tempo ainda. Congonhas não pode ultrapassar os 12 milhões de passageiros por ano, sob o risco de saturar, enquanto que Guarulhos ainda pode crescer entre 20% e 25%, apesar de atingir um limite com esta porcentagem. Por isso, a construção de um terceiro terminal de passageiros é urgente”, acredita Chueiri.

Obras não iniciadas –
Em janeiro deste ano, o presidente da Infraero Sérgio Gaudenzi afirmou que as obras do terceiro terminal começariam em fevereiro. Até o momento, contudo, nada foi feito. Segundo ele, haveria também a ampliação do pátio de estacionamento, obra igualmente não iniciada. O custo total seria superior a R$ 1 bilhão e o fluxo de passageiros superaria os 30 milhões anuais, contra pouco menos de 24 milhões previstos para este ano. Segundo Chueiri, o terceiro terminal traria resultados positivos no curto prazo, mas a perda da terceira pista será negativa no médio e longo prazo.

Em Viracopos (Campinas), onde deverá ser construída uma segunda pista, o fluxo de passageiros em janeiro não ultrapassou 77.307 pessoas, contra 63.071 no mesmo período do ano passado. Portanto, o fluxo anual não chegaria a um milhão de passageiros. “Mesmo que a capacidade dobre com a construção de outra pista, ainda ficará longe dos números de Congonhas e Cumbica”.

Na soma entre Cumbica e Congonhas, houve um decréscimo de passageiros entre os meses de janeiro de 2007 e 2008, passando de 3.114.484 para 2.909.096, uma queda de 6,6%. No Estado de São Paulo, que inclui aeroportos pequenos como os de Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Bauru, entre outros, também houve queda na mesma comparação, de 3.278.688 para 3.109.323 (-5,2%). Já o total do país apresentou leve alta, de 9.820.171 para 10.071.099, ou 2,6% a mais do que em janeiro do ano passado.

Nos meses de março e abril do ano passado, o fluxo de passageiros em Congonhas era maior do que em Guarulhos, tendência que se inverteu a partir de maio conforme aumentava a crise aérea. Com a tragédia da TAM, a quantidade de passageiros em Congonhas foi diminuindo até atingir seu ponto mais baixo em janeiro, enquanto que Cumbica chegou ao ápice no mesmo mês.

“Neste ano, a demanda deverá crescer em torno de 10%, o que significa três milhões de passageiros a mais. Existe a necessidade de investir nos aeroportos. No momento, só Cumbica é capaz de suportar essa carga extra de passageiros”, finaliza Chueiri.

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