Montadoras querem a prorrogação do IPI menor
A arrecadação mensal média de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nos automóveis caiu 11% desde que o governo reduziu o tributo. Mas, na soma do IPI com outros impostos que incidem sobre os carros, houve aumento de 24% .
A equipe econômica do governo federal recebeu da indústria automobilística um documento que contém dados de vendas de veículos e os resultados da arrecadação de impostos.
Os dados, que ainda não foram divulgados, formam o argumento que as montadoras prepararam para a sua última tentativa de convencer o governo a prorrogar o benefício fiscal.
Se o setor não conseguir sucesso nessa tentativa de negociação, o IPI dos automóveis subirá três pontos percentuais a partir de segunda-feira, 01.
Segundo o Valor apurou, a argumentação da indústria mostra que a arrecadação mensal média de IPI nos carros foi de R$ 220 milhões entre agosto e outubro. Menor, portanto, que os R$ 250 milhões da fase anterior à redução do tributo, que entrou em vigor em agosto.
Quando se soma IPI e outros tributos, como PIS e Cofins, a arrecadação sobe, segundo a tese preparada pelos empresários das montadoras. Passa da média mensal de R$ 440 milhões da fase anterior à redução da alíquota do IPI, para R$ 500 milhões. Isso resulta num acréscimo de 24%.
As montadoras pretendem mostrar ao governo que o aumento de vendas de automóveis no período compensou a perda de arrecadação com IPI. O volume maior de carros comercializados acabou resultando em mais recursos com os demais impostos.
Segundo o mesmo documento, a média diária de venda de carros passou de 4.900 para 6.100 entre o período anterior à redução de IPI e outubro. A média do volume de vendas mensal estava em 114 mil unidades antes do benefício fiscal. Em outubro, a venda foi de 141 mil.
Há quem duvide, no próprio setor, que o argumento será suficiente para convencer o governo. O maior problema, para as montadoras, é pedir a prorrogação do benefício num momento em que elas afirmam precisar subir os preços dos carros por causa de aumento de custos provocados pelo reajuste de 18% nos salários dos metalúrgicos de São Paulo, que se estende aos fornecedores de autopeças.
Segundo fontes próximas às negociações com o governo, o setor estaria disposto a discutir o repasse desse custo caso o IPI mais baixo fosse prorrogado.
O governo reduziu temporariamente a alíquota de IPI para os carros com motor até 2.0 como forma de atender aos apelos da indústria automobilística, que se queixava dos pátios lotados. As montadoras chegaram a ameaçar com demissões.
Nos modelos com motor 1.0, os chamados “populares”, a alíquota baixou de 10% para 9%. Nos carros com motores entre 1.0 e 2.0, a redução foi de 15% para 13%. A medida entrou em vigor em agosto e vale até o próximo dia 30. Em outubro, as vendas totais de veículos cresceram 12,6% na comparação com setembro.
Os representantes do governo já avisaram, em entrevistas, que o benefício não seria prorrogado. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), informou, por meio de porta-voz, que aguarda uma posição do governo federal em relação aos resultados da arrecadação de impostos no período de vigência do benefício porque essa troca de informações foi acertada quando o acordo de redução de IPI foi assinado.
Marli Olmos







