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Ministro recomenda mais reforço nos estoques

Guarulhos, 26 de julho de 2004

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, aconselhou representantes da indústria e varejo a se prepararem para o aumento do consumo neste ano. “Não estejam despreparados, a exemplo do que aconteceu com o comércio de roupas neste inverno”, advertiu. Segundo ele, o empresário que não ficar atento corre o risco de não ter o que vender “na hora H”.

O ministro destacou que todos os indicadores econômicos apontam que a meta de crescimento de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano será ultrapassada “com folga”. E citou dados que mostram o aumento do nível de emprego e renda, avaliando como conseqüência a necessidade de maior eficiência dos setores de abastecimento para atender ao aumento de demanda esperado.

Na avaliação de Furlan, a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 16% ao ano não está inibindo o crescimento econômico. Na medida em que o País conquistar avanços com estabilidade, acredita ele, ocorrerá a redução da taxa. O ministro voltou a projetar uma queda do risco-Brasil dos atuais 600 pontos para 400 pontos, afirmando que até o fim do governo Lula a taxa chegará a 200 pontos. “O jogo do crescimento é para valer e este é o momento de vocês apostarem positivamente”, reiterou aos empresários. Risco Brasil é a taxa que mede a desconfiança do investidor estrangeiro na capacidade de pagamento da dívida do País.

Até a última quinta-feira, segundo o ministro, as exportações brasileiras cresceram 47% no mês em comparação com julho de 2003. “Vamos ter um ano de recordes. O superávit comercial alcançado garante o fluxo forte de dólares ao País”.

Inflação – Com relação a alta de 0,93% do IPCA-15, de julho, anunciado na sexta-feira ante 0,56% em junho, Furlan afirmou que o que carrega a inflação em primeiro lugar são os preços das commodities internacionais – produtos com preços definidos no mercado internacional – como petróleo, soja e aço. “O preço destes produtos não depende nem dos juros internos e nem de qualquer ação do governo”, explica. Para ele, outro componente da inflação, que também não depende da taxa de juros, é a correção das tarifas de serviços públicos, presa às cláusulas contratuais da privatização.

Furlan destacou ainda que na área de financiamentos, ponto crítico para as empresas, os dados do BNDES do primeiro semestre mostram aumento de 46% na oferta de crédito a pequenas e médias empresas, de R$ 5,6 bilhões. Segundo ele, vários produtos estão sendo lançados para a modernização das empresas, caso da criação do Programa de Modernização de Máquinas (Modermaq) que vai financiar 90% dos equipamentos com cinco anos de prazo para o pagamento e juros fixos nesse período, de 13,95% ao ano, pouco mais de 1% ao mês. Além do Modercarga, para aquisição de caminhões novos e usados com até 7 anos. Em curso, há ainda um projeto de desburocratização da aduana.

Tsuli Narimatsu