Milhões em negócios suspeitos
Relatório reservado do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) informa que o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza movimentou mais de R$ 50 milhões nos últimos anos em condições, aparentemente, fora do padrão. O documento, que pode complicar ainda mais a situação do publicitário, foi encaminhado à CPI dos Correios. Com isso, sobe para mais de R$ 70 milhões o valor movimentado por Marcos Valério de forma considerada suspeita pelas autoridades.
A DNA Propaganda Ltda, empresa do publicitário Marcos Valério Fernandes, foi uma das favorecidas por um esquema de evasão de divisas descoberto pelo Banco Central em Minas Gerais. O nome da agência consta da relação de clientes da Infotrading do Brasil, denunciada pelo Ministério Público Federal por simular importações e remeter ilegalmente para o exterior US$ 7 milhões entre agosto e dezembro de 2001. A DNA aparece com um depósito de R$ 220 mil na conta da falsa importadora, o que indica, segundo investigadores, uma amostra do que foi enviado ilegalmente para o exterior.
A operação – A fraude foi descoberta pelo BC ao verificar, em 2001, que a Infotrading celebrara contratos de câmbio para importações, com pagamento antecipado de US$ 7 milhões, valores superiores aos de contratos semelhantes realizados anteriormente.
O BC constatou que a empresa, com capital social de apenas R$ 20 mil, registrara faturamento anual bruto de R$ 900 mil e que R$ 4,7 milhões estavam depositados para liqüidação de operações de câmbio. O MPF solicitou à Receita informações sobres operações de importação da Infotrading, para lastrear contratos de câmbio firmados em 2001. A última importação fora em 1998, prova, segundo o MPF, de que as operações foram para evadir divisas.
Para facilitar as operações, a Infotrading teria usado laranjas em Betim, na Grande Belo Horizonte: moradores pobres do município denunciaram, em 2004, a um jornal local que um vizinho recolhera seus CPFs a pretexto de um cadastramento. Mais tarde, surpreenderam-se ao descobrir que eram réus no processo da Infrotrading. (AG)







