ACE-Guarulhos

Micro e pequenas empresas tiveram papel fundamental para a geração de empregos.

Estudo elaborado por pesquisadores do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) concluiu que as micro e pequenas empresas tiveram papel fundamental para a geração de empregos no Brasil, entre 1996 e 2000. O trabalho recomenda a criação de incentivos para a sobrevivência desses empreendimentos, principalmente com mais disponibilidade de crédito.

Os dados coletados com base nas informações do Ministério do Trabalho e Emprego indicam que das 335,2 mil firmas criadas em 1996 apenas 173,8 mil continuavam existindo em 2000. Nesse período, as micro e pequenas empresas que sobreviveram foram responsáveis pela contratação de mais 379 mil trabalhadores. Ao mesmo tempo, os médios e grandes estabelecimentos, criados em 1996 e que continuaram a existir, dispensaram 28 mil pessoas.

Segundo o estudo, elaborado por Sheila Najberg e Fernando Pimentel Puga, as firmas de menor porte, mesmo enfrentando maiores dificuldades, conseguiram apresentar um crescimento expressivo na geração de empregos, enquanto se registrava redução nas médias e grandes.

Os dois pesquisadores mostram que o Brasil tinha ao final de 2000 cerca de 2,2 milhões de empresas formalizadas, das quais 98,6% eram micro e pequenos empreendimentos; 1,2% ficava na categoria de médios negócios e apenas 0,2% nos grandes. A classificação toma como base os critérios do Ministério do Trabalho e Emprego, para o qual microempresa tem até 19 trabalhadores; pequena, de 20 a 99; média, de 100 a 499; e grande, acima de 500.

As micro e pequenas empresas respondem por 45,8% do emprego formal no país. Conforme os pesquisadores advertem, o estudo é feito a partir das informações da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), questionário anual do governo federal, que só atinge as empresas formalizadas. Portanto, o estudo não leva em consideração o setor informal, que, segundo o Censo de 2000, emprega 49% dos trabalhadores brasileiros.

A taxa de sobrevivência das empresas formais, entre 1996 e 2000, foi maior para os grandes empreendimentos. Nesse segmento, 83% continuavam existindo no último ano em que os dados da Rais estão disponíveis, dizem os pesquisadores. Entre as pequenas e médias empresas, a taxa de sobrevivência foi de 62%.

Ao analisar a situação dos microempreendimentos, a pesquisa fez uma distinção entre as que tinham até quatro trabalhadores e as que tinham de cinco a 19 empregados. Para o segundo grupo, a taxa de sobrevivência também foi de 62%, mas para o primeiro o número caiu para 50%.

O resultado comprova que o ambiente hostil e as dificuldades inerentes ao próprio empreendimento afetam de forma mais agressiva justamente os menores microempresários. Porém é nesse segmento, nas firmas com até quatro trabalhadores, que a pesquisa verificou o maior crescimento de emprego entre 1996 e 2000.

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