Um dia após aumentar o clima de confronto com os EUA nas discussões da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), o chefe dos negociadores brasileiros, embaixador Luiz Felipe de Macedo Soares, apresentou nesta quarta-feira, 01, em Trinidad e Tobago, uma proposta do Mercosul para tentar concluir o acordo na data prevista originalmente, 2005.
A proposta prevê que as ofertas de redução de tarifas e de outras barreiras à importação feitas por países em desenvolvimento na Alca, não sejam estendidas aos EUA e Canadá, únicos países desenvolvidos no futuro bloco de 34 nações. O mesmo vale para as propostas de abertura no setor de serviços e acordos de proteção a investimentos.
O governo brasileiro queria acabar com os grupos negociadores da Alca dedicados a temas considerados “sensíveis”, como regras para investimentos e de propriedade intelectual, e a abertura de serviços e de compras do setor público para fornecedores estrangeiros. Para atender a Argentina e o Uruguai, voltou atrás, e limitou-se a propor que a discussão desses assuntos não seja obrigatória para todos os países da Alca. Com o recuo, o Brasil garantiu, pelo menos por enquanto, a unidade do Mercosul, que ameaçava dividir-se nas negociações.
O governo brasileiro assistiu a uma reação poderosa à iniciativa de reduzir as ambições da Alca. Foi divulgado, na reunião, um documento em defesa da posição dos Estados Unidos, de uma Alca “abrangente”, assinado por Canadá, México, Panamá, Peru, Colômbia, Venezuela e países centro-americanos.
É crescente a percepção entre fontes próximas às negociações de que dificilmente haverá algum acordo. “Parece que a Alca está morta e agora a disputa é sobre quem ficará com a responsabilidade de jogar a toalha”, diz uma fonte das muitas empresas de lobby de Washington com trânsito na diplomacia brasileira e no USTR.
Sergio Leo e Tatiana Bautzer