A estimativa do mercado para a inflação em 2004 recuou pela primeira vez este ano, mas o prognóstico para 2003 voltou a subir. É o que mostrou pesquisa feita pelo Banco Central com instituições financeiras e empresas de consultoria na semana em que o BC decidiu manter por mais um mês a taxa de juro no maior patamar em quatro anos.
Segundo o levantamento, a mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, de 2004 caiu de 8% na semana anterior para 7,95%. Para este ano, houve uma elevação das expectativas do IPCA – referência do sistema de metas de inflação – de 12,44% para 12,47%.
“(O relatório) me surpreendeu, tanto para este ano como o ano que vem. A elevação deste ano é pequena, mas eu não esperava que subisse”, afirmou Zeyna Latif, economista sênior do Banco Bilbao Vizcaya. “Para o ano que vem, o que pode ter acontecido é uma instituição ter revisado sua previsão e aí tem uma pequena queda.”
A expectativa de 8% vinha sido mantida desde a semana de 3 de janeiro, quando foi elevada em relação à de 7,9% da semana anterior.
Alguns analistas previam que as expectativas para 2003 começassem a cair, ante um cenário econômico mais favorável. As estimativas do mercado para a inflação são um dos pontos que o BC leva em conta quando reúne-se para decidir sobre a taxa de juros. “A gente não teve um IPCA ruim que pudesse gerar uma correção das previsões (para 2003). Além disso, teve um anúncio de queda de combustível que não era esperada e a taxa de câmbio está vindo menor”, acrescentou Latif.
O dólar rompeu na semana passada a barreira dos 3 reais e o IPCA-15, uma prévia do IPCA, ficou estável em 1,14% em abril em relação a março, levemente abaixo das previsões do mercado de uma leitura próxima a 1,2%.
Para o IPCA de abril, as expectativas também foram elevadas, de 0,90% por cento na semana passada para 0,97%, mas para maio foram mantidas em 0,60 por cento. Para a inflação acumulada nos próximos 12 meses, o prognóstico teve uma pequena queda, de 9,06% para 9,03%.
A previsão para 2003 continua acima da meta de inflação de 8,5% e do prognóstico de inflação do BC, que é de 10,8%. Os prognósticos para a inflação de São Paulo – que tem forte peso sobre o IPCA – voltaram a cair para este ano, passando de 11,66% na semana anterior para 11,60%.
Previsão de queda – Segundo Latif, as expectativas do mercado para este ano devem voltar a cair assim que a melhora do câmbio começar a se refletir nos índices de preços. “A tendência agora é de melhora das estimativas para 2003, e para as do ano que vem é de pelo menos manutenção”, avaliou. “Os analistas estão imaginando que vai ter um quadro mais claro e o impacto do câmbio sobre a inflação vai gerar uma onda de atualizações das previsões”, disse ela.
A expectativa para o dólar no final deste ano voltou a cair depois de duas semanas de estabilidade, passando de R$ 3,50 para R$ 3,44. Para o final de 2004, a pesquisa do BC mostrou que o mercado projeta um câmbio de R$ 3,60, levemente abaixo do prognóstico de R$ 3,68 da semana anterior.
Mesmo assim, não mudou a aposta de que a taxa básica de juros, a Selic, estará em 22% ao ano no final de 2003.