Mercado prevê inflação menor em 2004
O mercado financeiro está apostando na queda da inflação. Na véspera do início da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), um levantamento mostrando que todas as projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), feitas por um grupo de 80 instituições financeiras e empresas de consultoria, apontam queda do índice. Para dezembro, pela primeira vez desde o final de fevereiro, as projeções ficaram abaixo de 12%, recuando de 12,06% para 11,84%.
Há quatro semanas, as previsões de IPCA para o corrente ano estavam em 12,19%. O percentual projetado, no entanto, ainda é maior que os 8,5% da meta ajustada do Copom. As estimativas de IPCA para 2004 também caíram, por sua vez, de 7,50% para 7,43%, um percentual também superior aos 5,5% de meta ajustada para o próximo ano.
Outro sinal de que o mercado espera uma inflação declinante são as expectativas de IPCA nos próximos 12 meses, que também recuaram e saíram dos 8,09% da pesquisa anterior para 7,76% – há quatro semanas estava em 8,30%. Esta foi a primeira vez em que estas projeções de IPCA em 12 meses ficaram abaixo da marca dos 8%. As previsões para junho caíram, ao mesmo tempo, de 0,55% para 0,44%, e as estimativas de julho recuaram de 1,30% para 1,27%.
Em conseqüência, o mercado também espera queda da taxa Selic no final de 2003. A perspectiva é que ela fechará o ano em 21%, menos que os 21,33% previstos na semana passada. Com isso, as instituições financeiras esperam que os juros cairão progressivamente do atual nível de 26,5%. No ano que vem, as previsões ficaram estáveis em 16,5% ao ano.
A inflação menor também poderá ser impulsionada por um dólar mais barato. As previsões de taxa média de câmbio para o corrente ano recuaram de R$ 3,25 para R$ 3,24. Para 2004 subiram de R$ 3,43 para R$ 3,44. As previsões para a taxa de câmbio nos finais de 2003 e de 2004 ficaram estáveis em R$ 3,30 e R$ 3,50, respectivamente.
Pessimismo – O mercado, porém, mantém o pessimismo em relação ao crescimento da economia. As previsões para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2003 caíram de 1,85% para 1,80%. Há quatro semanas, estas projeções de crescimento do PIB estavam em 1,90%. As expectativas de crescimento do PIB para 2004 ficaram estáveis em 3%. Já a projeção da dívida líquida do setor público de 2004 aumentou de 53,20% para 53,50% do PIB, e as estimativas para 2003 permaneceram estáveis nos mesmos 55% do PIB revelados no levantamento anterior.
Para o mercado, o déficit em conta corrente de 2003 também ficará menor. A estimativa caiu de US$ 3,97 bilhões para US$ 3,80 bilhões. O valor projetado é menor que os US$ 4,2 bilhões da projeção oficial divulgada pelo BC na semana passada. As previsões de déficit em conta corrente para 2004, por sua vez, ficaram estáveis em US$ 5 bilhões.
As expectativas de superávit da balança comercial para 2003 subiram, ao mesmo tempo, de US$ 16,10 bilhões para US$ 16, 30 bilhões, contra a estimativa oficial de US$ 17,5 bilhões. As previsões de superávit da balança comercial para 2004 recuaram, na mesma pesquisa, de US$ 15,65 bilhões para US$ 15,50 bilhões. O investimento direto estrangeiro para 2003 será menor, de acordo com a mesma pesquisa, caindo de US$ 11 bilhões para US$ 10,10 bilhões, ficando próximo da estimativa de US$ 10 bilhões feita pelo BC. As projeções de investimento direto para 2004, porém, permaneceram estáveis em US$ 14 bilhões.







