O impacto de uma rápida retomada da economia sobre a inflação deverá nortear a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne a partir desta terça-feira, 18, para fixar, na quarta-feira, a taxa básica de juros (Selic) que vai vigorar pelo mês seguinte. Considerando que o comitê informou, na ata da reunião passada, que “deverá continuar havendo espaço para quedas adicionais da taxa Selic', a aposta do mercado é de que a Selic caia um ponto percentual, a exemplo do que já ocorreu em outubro, passando de 19% para 18% ao ano.
Apesar do cenário externo favorável, do risco Brasil abaixo de 600 pontos e da inflação “comportada', o economista Ricardo Denadai, afirmou que o Copom só deve reduzir a Selic em um ponto percentual. Para ele, é preciso aguardar os reflexos sobre a economia dos cortes feitos desde junho, que chegam a 7,5 pontos percentuais.
– Em dezembro e em janeiro, o Copom deve pisar no freio para ter a sensibilidade de como a economia vai reagir às quedas recentes dos juros – afirmou Denadai.
O economista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz, também acredita numa queda de um ponto percentual. Sua estimativa é que a Selic feche o ano em 17%. Segundo ele, esse cenário positivo deverá começar a refletir a partir de janeiro na queda, embora lenta, das taxas de desemprego do país.
Economista-chefe do Banco Modal, Alexandre Póvoa reforça a aposta no corte de um ponto.
– Por mais que o BC negue, o Copom tem dado pistas de que utiliza como instrumento para suas decisões o comportamento dos juros reais. Para que eles continuem caindo, é preciso que haja uma queda da taxa Selic entre 0,75 e 1 ponto – avaliou Póvoa, para quem há espaço para corte superior, embora suas chances sejam remotas. Tal decisão poderia ser interpretada como sinal de que o governo não sabe o que faz. Seria uma mudança brusca no gradualismo da política monetária.
O economista Juan Jensen, concorda. Para ele, um recuo superior a um ponto seria “exagerado'.
Edna Simão e Carla Falcão