Na semana passada, quando o governo federal deu um prazo de dez dias – que acaba nesta sexta-feira – para que os preços do GLP, o gás de botijão, fossem reduzidos para os consumidores ” caso contrário faria uma intervenção ” os revendedores (que vendem o gás diretamente para o consumidor) aumentaram suas margens brutas em 26,93% no Rio e em 18,38% em São Paulo. Esse aumento das margens em relação às cobradas na semana anterior foi constatado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) em sua pesquisa semanal de preços dos combustíveis, realizada no período de 5 a 10 deste mês.
Segundo os dados da pesquisa da ANP, a margem bruta dos revendedores na cidade do Rio passou de R$ 4,01 por botijão para R$ 5,09 na semana passada. Já em São Paulo a revenda aumentou sua margem bruta de R$ 3,59 para R$ 4,25 por botijão.
Por sua vez as margens brutas das distribuidoras (que compram gás da Petrobras e vendem para os revendedores) registraram uma redução na semana passada. No Rio, a queda das margens na distribuição chegou a 20,7%, com o seu preço passando de R$ 5,95 por botijão para R$ R$ 4,65. Em São Paulo, a redução nos preços das margens das distribuidoras foi de 7%. A margem caiu de R$ 7 para R$ 6,51.
O presidente da Federação Nacional dos Revendedores de GLP (Fergás), Álvaro Chagas, disse ontem que os aumentos constatados pela pesquisa da ANP devem ser atribuídos às grandes distorções que existem no setor. Segundo Chagas, o mais importante é que o preço médio de venda do GLP ao consumidor hoje está na faixa determinada pelo governo, que é da ordem de R$ 23 o botijão. No Rio, segundo a pesquisa, o preço médio ao consumidor está em R$ 23,09, o que representou uma redução de 0,9% em relação aos R$ 23,30 que eram cobrados na semana anterior.
Contudo, em São Paulo, na semana passada os preços de venda do botijão aos consumidores registraram uma alta de 0,68%. O produto está sendo vendido a R$ 25,23, contra 25,06 na semana anterior.
Álvaro Chagas destacou que a Fergás está estudando onde estão ocorrendo distorções de preços e irregularidades para apresentar os dados à ANP. Muitas dessas distorções ocorrem porque as distribuidoras vendem o produto a preços diferentes em uma mesma base. Como os revendedores são obrigados a comprar o GLP de uma única distribuidora, isso faz com que, em uma mesma região, os preços tenham grandes diferenças para o consumidor.
Apesar do aumento ocorrido nas margens da revenda na semana passada, a Fergás garante que toda redução de preços que for passada pelo setor será repassada para os preços dos consumidores.
” Nós nos comprometemos a repassar para os preços dos consumidores toda e qualquer redução que ocorrer na cadeia ” destacou Chagas.
Segundo a pesquisa da ANP, o preço médio do botijão no país na semana passada era de R$ 26,08, o que representou uma queda de 0,48% em relação aos R$ 26,20 cobrados na semana anterior. Pela expectativa do mercado, o prazo de dez dias dado pelo governo ao setor para reduzir seus preços termina nesta sexta-feira.
Ramona Ordoñez