Maneiras de se precaver contra as notas falsificadas
Aos comerciantes e às pessoas em geral, um aviso inicial, tranquilizador: a falsificação de dinheiro no Brasil é relativamente pequena. Embora não haja estatísticas mais abrangentes e polícia e Banco Central trabalhem com dados diferentes, em áreas diversas, sabe-se que o País não desenvolveu uma história de falsificação intensa. “Não há especialistas ou organização nesta categoria de crime, como na Colômbia”, diz Manoel Camassa, delegado do DEIC especializado no combate a este tipo de crime.
De acordo com os dados do Banco Central, desde que o real passou a ser a moeda brasileira, em 1994, foram postas em circulação mais de 2,5 bilhões de cédulas. A média de apreensão é de 380.000 cédulas por ano, ou seja, 0,01% de tudo o que circula. “Não há nada de assustador ocorrendo. As estatísticas mostram que o crime está sendo combatido de forma eficiente”, diz Luiz Henrique de Almeida Cabral, chefe adjunto de meio circulante do Banco Central. “Mas isso não significa que as pessoas não devam estar sempre atentas”, alerta.
A incidência maior de falsificações, hoje, é de notas de R$ 50,00. Mas até cédulas de R$ 20,00 já foram imitadas. E as máquinas que fornecem dinheiro automaticamente, nos bancos, nem sempre são fonte segura de numerário: já houve casos de notas falsas pegas em caixas automáticos. A recomendação da polícia é a seguinte: as pessoas devem se acostumar a olhar para o dinheiro, observar os detalhes, para não levar gato por lebre. O Brasil, em sua história, já teve mais de 4.000 cédulas diferentes. Na década de 20, praticamente todos os bancos emitiam moeda. Depois, a inflação corroeu durante décadas o dinheiro. Nunca desenvolveu-se a tradição de reparar no que se usava como meio de troca. Está na hora de começar. Especialmente o comerciante, que tem como se defender. É o delegado Camassa quem explica.
Existem, no mercado, várias marcas e apresentações de uma máquina simples, equipada com uma lâmpada ultravioleta. Notas falsificadas, quando expostas à luz ultravioleta, ficam transparentes ou brilham. As maquininhas prontas custam, em média, R$ 50,00. O investimento vale a pena, mas quem quiser também pode montar o equipamento em casa, com uma caixa de madeira e uma lâmpada. “As notas de R$ 50,00 e as de R$ 10,00, que são as preferidas dos falsificadores, devem ser sempre testadas”, diz o delegado. O crime de falsificação está definido no código penal e é julgado pelos tribunais federais, pois a vítima é a União. A pena prevista para os falsificadores vai de 3 a 12 anos e para quem, sabendo que a nota é falsificada, deixa que ela circule, varia de seis meses a dois anos.
São punições maiores do que as previstas para o estelionato, por exemplo. Isso porque a falsificação põe em risco a credibilidade do dinheiro nacional. Há passagens na história em que ela foi usada até como arma de guerra. Hitler tentou quebrar a economia da Inglaterra introduzindo libras falsas no país. É bom anotar algumas das características da cédula de real que devem ser sempre observadas. Toda a nota tem de vir com fio de segurança e marca d?água. O desenho do círculo com a estrela dentro, que existe do lado direito da nota, olhado contra a luz, não deve apresentar sombra, ou seja, deve coincidir dos dois lados da nota. Os traços da impressão da nota de real são finos. Os das falsificações normalmente são empastados. O último retângulo, na parte inferior da nota, deve conter a sigla BC oculta, mas observável quando a cédula é posta na horizontal, à altura dos olhos.
Quem lê braile, a linguagem escrita dos cegos, jamais leva um real falso para casa. Isso porque aqueles zerinhos impressos do lado esquerdo da nota têm um relevo que os falsificadores jamais se deram ao trabalho de copiar. A nota de R$ 1,00 tem um zerinho. A de cinco reais tem dois zerinhos, um sobre o outro, a de dez tem dois, um ao lado do outro, e a de cinqüenta tem três: um embaixo e dois em cima.
Eliana G. Simonetti







