Mais 22 milhões de consumidores têm acesso a crédito em 2007
O ano e o Natal de 2007 devem ser comemorados: 22 milhões de novos consumidores tiveram acesso ao crédito no Brasil, ou seja, 35% a mais do que em 2006. Isso vai encerrar o ano com “chave de ouro”: crescimento de 8,8% nas vendas do varejo na cidade de São Paulo entre os dias 1º e 19 de dezembro, comparado com igual período no ano anterior, o melhor desempenho desde 1998.
O otimismo se explica: o número de consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) e ao UseCheque, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), teve, respectivamente, saltos de 9,4% e 8,1%, nos primeiros 19 dias de dezembro (média de 8,8%). “Agora o desafio (para o empreendedor) será manter esse patamar de vendas, porque o consumidor quer qualidade, bom preço e financiamento”, explicou Alencar Burti, presidente da ACSP. O bom desempenho da economia brasileira ajudou a incluir as classes de baixa renda em vários setores do consumo, como de vestuário, utensílios domésticos e eletroeletrônicos. “O setor de veículos bateu todos os recordes históricos de vendas”, acrescentou Burti. Ele creditou 70% desse avanço nas vendas à ampliação do crédito, aumento de prazos e redução de juros. “O consumidor não deve gastar mais do que pode e o governo precisa ajudar, reduzindo as cargas tributária e bucrocrática, que prejudicam muito, especialmente, as micro e pequenas empresas.”
Pesquisa ACSP – A pesquisa feita pela ACSP com dados do SCPC e UseCheque, divulgada ontem por Burti, mostra que a quantidade de CPFs (Cadastro da Pessoa Física) que passou para consulta no cadastro saltou de 63 milhões em 2006 para 85 milhões em 2007, incluindo, especialmente, novos consumidores de baixa renda, das classes C e D.
Segundo o presidente da entidade, se não houver um fato negativo relevante na economia brasileira daqui para a frente, as perspectivas são de que as vendas cresçam pelo menos cerca de 7% em 2008, dois pontos percentuais acima do desempenho de 5% previsto para o Produto Interno Bruto (PIB). A principal ameaça é a crise imobiliária norte-americana. “Mas o Brasil tem reservas que asseguram uma certa tranqüilidade”, disse o economista Marcel Solimeo, diretor do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da ACSP.
A mesma pesquisa mostra ainda que o consumidor se esforçou para tirar o nome do cadastro do SCPC. Este ano, 19,9% deles fizeram isso antes de dez dias e 17,6% até 30 dias de inclusão. Resultado: 43% e 30% dos valores recuperados ocorreram, respectivamente, nesses prazos mais curtos. Quanto ao percentual de reincidentes, ou seja, que voltaram a ser incluídos no cadastro como inadimplentes, apenas 10% ocorreram no primeiro mês após a exclusão, 20% no segundo mês, 27% no terceiro e 55% no final de um ano.
Mas o dado importante, segundo Solimeo, é que os consumidores negativados que esperavam os cinco anos para serem retirados automaticamente do cadastro caíram de 30%, em 2006, para 24% este ano. “O que mostra que foi mais fácil renegociar os débitos e limpar o nome foi uma decisão importante”, disse. O número poderia ser menor se houvesse maior flexibilização em alguns setores, como títulos protestados.
Desemprego – De qualquer modo, a pesquisa reafirmou que o desemprego continua sendo a principal causa da inadimplência (47,6%), seguido pelo descontrole de gastos (19,8%) , fiança ou empréstimo de nome (10,9%).
Ficou claro que, dos inadimplentes, a maioria (52,4%) deve apenas para uma empresa, ou seja, “estão pagando apenas um carnê”. E foi registrada no comércio a maior rotatividade no emprego (35,9%). A pesquisa mostrou que a maioria (58,1%) ainda não procura alguma empresa para renegociar a dívida. Mas, dos 41,9% que procuraram, a maioria (56,9%) conseguiu efetivar algum tipo de negociação.
Finalmente, a pesquisa da ACSP revela que a maior parte dos inadimplentes tem uma dívida que vai de R$ 300 a R$ 1 mil (55,3%; 23,2% entre R$ 1.001 e R$ 1,5 mil; 21% entre R$1.501 e R$ 3 mil e apenas 0,4% acima de R$ 3 mil. “O que demonstra que o prazo é um fator importante na renegociação”, concluiu Solimeo.





