Com taxas de juros que continuam altas e com garantias adicionais exigidas para se conseguir crédito, as empresas que pretendem atuar na área financeira no pós-crise devem se estruturar com base na governança corporativa. A afirmação é do sócio diretor da Méthode Consultoria Empresarial, Adriano Gomes, em evento na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), na última quarta-feira, 26. As empresas devem seguir a transparência, constituir conselhos fiscais, conselhos de administração e auditorias administrativas para conseguir linhas de crédito com prazos mais longos e taxas mais baixas. “A governança visa separar a gestão da propriedade, de forma a equalizar o desempenho. Vejo a crise por este prisma, de modo positivo”, disse.
Para o consultor, o aprimoramento dos controles internos da organização é fundamental, mesmo nas empresas menores. Mas, segundo Gomes, não adianta ter ferramentas e processos se eles não forem aplicados por pessoas capacitadas.
Gomes acredita que o cenário de recessão ainda existe, mas é improvável. “Saímos da posição desconfortável e vamos para a zona de conforto”, afirmou. A grande força será a demanda interna. “Foi ela que puxou a recuperação da economia até agora”. Ele acha que os preços dos bens de capital e commodities ainda devem sofrer com a recessão europeia e dos Estados Unidos. Por causa da crise, os preços praticados estão erráticos e apresentam alta volatilidade. “Os preços relativos foram tão abalados que a gente tem dificuldade de precificar as coisas.”
Em relação à inadimplência, o diretor do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da ACSP, Marcel Solimeo, estimou que a tendência é de estabilidade e, depois, de queda, pois “já há sinais de retomada do emprego, os juros estão caindo e há alongamento de prazos, o que ajuda na renegociação das dívidas”.
Solimeo observou que o crédito começa a fluir para pessoas físicas, mas que ainda está longe do praticado em 2008, quando ele mesmo era constantemente abordado por moças que lhe ofereciam crédito na rua São Bento, centro de São Paulo. Em sua opinião, as vendas no varejo tendem a ter melhores condições em 2010.