As linhas para financiamento ao comércio exterior do país, que chegaram a níveis de US$ 24 bilhões a US$ 25 bilhões, caíram para US$ 11 bilhões no final de 2002, segundo estimativas da Febraban (Federação Brasileira das Associações de Bancos). Neste ano, uma recuperação já foi notada e essas linhas subiram para US$ 17 bilhões, ainda 32% abaixo dos níveis normais.
Para tentar contribuir com o governo no esforço de recompor o crédito externo é que a Febraban, em conjunto com o Citibank, conseguiram trazer para o Brasil neste ano a realização do XIX Congresso Latino-Americano de Comércio Exterior (Clace), segundo o presidente da Febraban, Gabriel Jorge Ferreira. O evento será realizado de 15 a 17 de junho, em São Paulo, e visa reunir exportadores, importadores, governo, organismos internacionais e entidades. O Clace, maior evento de comércio exterior da América Latina, é promovido pela Felaban (Federação Latino-Americana de Bancos) e sediado cada ano por um país.
Segundo Gustavo Marín, presidente do Citibank, o número de bancos estrangeiros que operam hoje com o Brasil é menor. “Por motivos estratégicos, diversos bancos deixaram o país e toda a América Latina após as turbulências de 2002”, contou. Só os mais comprometidos com o país, como o Citibank, já normalizaram o fornecimento de linhas, disse. “Essa situação é comum após as crises. A alguma altura eles voltam”, disse. “O Clace deste ano terá um grande caráter de promoção do Brasil”, disse Ferreira.
Outra grande novidade do Clace deste ano será a abertura do evento, geralmente direcionado só para bancos e agências de fomento, também para empresas exportadoras e importadoras, segundo João Luiz Pasqual, diretor setorial de operações internacionais da Febraban. Os debates sobre formas de melhorar o Convênio de Crédito Recíproco (CCR) e sobre a Alca deverão ganhar especial atenção.
“O CCR foi redesenhado recentemente, mais ficou restrito demais”, afirma Angelim Curiel, diretor setorial da Febraban. A proposta de Roberto Gianetti da Fonseca, presidente da Silex Trading e ex-secretário da Câmara de Comércio Exterior, a ser debatida no evento, é que o governo precisa voltar a garantir o risco-país nas operações, mas por meio do Tesouro e não do Banco Central. “O setor de bens de capital brasileiro precisa de financiamento barato para suas exportações de mais longo prazo para se tornar competitivo. Mas as linhas privadas à exportação hoje são de vencimento em apenas um ano”, afirmou Curiel.
Também o aumento do investimento direto externo será fundamental para impulsionar as exportações de setores com a capacidade produtiva já tomada, lembrou Marín, como os de siderurgia e papel e celulose. Sem uma reforma tributária que desonere as exportações e a melhoria da eficiência da logística para o exportador, o Brasil não conseguirá fazer como o México e duplicar sua participação no comércio internacional, disse ele.
Cristiane Perini Lucchesi