Juros do crediário podem subir
O presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimentos (Acrefi), Ricardo Malcon, afirmou nesta terça-feira (10) que as taxas de juros das financeiras deverão subir este mês, principalmente se houver um forte aquecimento da demanda por crédito por causa das vendas de Natal e um aumento da taxa Selic, que determina o juro básico da economia.
– Meu conselho é para as pessoas tomarem crédito agora, pois os produtos podem encarecer em função da inflação e os juros podem subir – disse. Para Malcon, os consumidores farão a maior parte das compras de Natal a partir de 15 de dezembro. Nos dias 17 e 18 o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para decidir se aumenta os juros básicos da economia, a taxa Selic, que está em 22% ao ano.
– Se o consumo aquecer muito vamos ter, com certeza, aumento nas taxas de juro do crediário. Levantamento da Acrefi mostra que as taxas de juro para compra de automóveis zero quilômetro variam de 3,1% a 3,65% ao mês. Para o crédito pessoal, de 5,5% a 7,5%. No crediário para a venda de eletrodomésticos, as taxas vão de 4,7% a 6,8% ao mês.
Em novembro, segundo levantamento preliminar divulgado nesta terça-feira pelo Banco Central, o volume de crédito pessoal ficou em R$ 24,69 bilhões. O crédito para financiamento de veículos somou R$ 26,93 bilhões e os demais financiamentos correspondem a R$ 4,32 bilhões.
As instituições de crédito ao consumidor apostam em um novo aumento da Selic este mês. O presidente da Acrefi afirmou que o setor espera um aumento na taxa, mas não se arrisca a prever um percentual. Segundo ele, a alta virá na esteira do aquecimento econômico detectado no início deste mês, que realimenta a expectativa da inflação. Pesquisa feita com financeiras mostrou que a demanda por crédito aumentou no período.
A volta da inflação faz também com que a entidade trabalhe com números de crescimento real e nominal. A Acrefi prevê que a carteira de crédito ao consumidor, com juros prefixados, deverá fechar 2002 com crescimento real (descontada a inflação) entre 1% e 2% e crescimento nominal de 10%. É bem menos do que o projetado pela entidade, que esperava crescimento real entre 5% a 6% este ano. Nos últimos doze meses encerrados em outubro, a carteira de crédito cresceu 11,7% nominais, com um saldo de R$ 60,17 bilhões. Em outubro do ano passado o saldo era de R$ 53,88 bilhões.
O presidente da Acrefi afirmou que o ganho entre 1% e 2% é positivo, pois o mercado de crédito praticamente parou entre agosto e outubro, por causa das eleições. A entidade, segundo ele, não contava com as turbulências econômicas provocadas pela ameaça de guerra no Oriente Médio e com um processo eleitoral tão conturbado quanto o deste ano.
– Foi uma armadilha atrás da outra – afirmou Malcon, referindo-se a cada novo candidato que aparecia na liderança das pesquisas eleitorais. O presidente da Acrefi não quis fazer previsões para 2003. Segundo ele, é preciso antes conhecer os nomes da equipe econômica do novo governo. Malcon destacou que confia no novo governo e espera que ele cumpra as promessas de campanha, para que o país volte a crescer e a taxa de juro possa ser reduzida.







