A Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet) estima que o ingresso de investimento direto estrangeiro (IDE) em 2004 seja de US$ 15 bilhões, acima dos US$ 12 bilhões projetados para este ano. O País deve manter sua posição entre os três países emergentes que mais recebem IDE. Considerando que há um grande espaço para a queda dos juros ainda neste ano, a projeção da Sobeet é de que a taxa nominal (Selic) encerrará 2003 em 21%, caindo para 15% no final de 2004.
O presidente da Sobeet, Antônio Corrêa de Lacerda, criticou a manutenção dos juros em 26,5% ao ano. “A posição mostrou não apenas excesso de conservadorismo do Banco Central, mas pior. Provou que o BC é refém do mercado financeiro, premiando os credores do Estado e transferindo recursos do povo para as mãos que detêm a dívida mobiliária.”
Confiante que os juros cairão até o fim do ano, a Sobeet acredita que o câmbio fecha 2003 cotado a R$ 3,30, subindo para R$ 3,50 no final de 2004. Para Lacerda, nada justifica a manutenção dos juros. “Não há pressão de custos à vista, temos uma excelente safra agrícola, houve reversão do câmbio e a demanda está retraída. Tenho certeza de que os juros vão cair e o Brasil entrará em uma fase de crescimento”, afirmou.
Para o PIB, as projeções da Sobeet são de alta de 1,5% em 2003 e 3% em 2004. No caso da inflação, a estimativa para o IGP-M é de 11% neste ano e de 7% em 2004. A conta corrente do balanço de pagamentos, segundo a estimativa da entidade, deve fechar o ano com um déficit de US$ 3,7 bilhões, valor que representa cerca de 10% do registrado no período 1997/1998, quando aconteceram as crises asiática e russa.
Para 2004, a projeção de déficit é de US$ 4,3 bilhões. Na conta de serviços, o déficit neste ano deve ficar em torno de US$ 22 bilhões, número que tende a se repetir em 2004.