Inovar é caminho para ser competitivo
Investimentos nos processos produtivos são fundamentais para reduzir custos do negócio
O acirramento da concorrência leva os empresários a cada vez mais buscar tecnologia nova para melhorar os processos e produtos de suas empresas. Reduzir custos é fundamental para garantir a sobrevivência de micro e pequenas empresas em um mercado competitivo. Investimentos em tecnologia e na otimização dos processos produtivos constituem os pilares da política de racionalização dos gastos. Partindo dessas premissas é que o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP) instituiu o Programa Sebrae de Consultoria Tecnológica (SEBRAEtec).
Se um empresário tem dificuldades para incorporar tecnologia em sua empresa, certamente isso atrapalhará seu crescimento. “É comum que os empreendedores tenham dificuldade para inserir o aspecto tecnológico no arranjo produtivo”, explica Antônio Carlos Larubia, consultor do Sebrae-SP e gestor do SEBRAEtec. Fato é que esta lacuna contribui fortemente para inviabilizar a sustentabilidade dos empreendimentos, que deixam de investir na inovação como diferencial competitivo. “A empresa que não inova está fadada a morrer”, sentencia.
O SEBRAEtec conta com a participação das chamadas entidades executoras, ou seja, centros de excelência em ciência, tecnologia e inovação. Participam do projeto, em São Paulo, 13 instituições, entre elas a Universidade Estadual Paulista (Unesp), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e a Fundação Parque de Alta Tecnologia de São Carlos. Por meio de consultorias, estes parceiros tecnológicos transmitem às empresas e aos empreendedores o conhecimento técnico necessário para solução de problemas e aumento da capacidade produtiva.
Pelas regras do SEBRAEtec, os empreendedores buscam o Sebrae-SP e indicam as suas necessidades. A demanda é cadastrada no sistema do projeto que define o parceiro tecnológico para elaborar a solução do problema. “As micro e pequenas empresas, muitas vezes, partem de premissas erradas. Pequenos ajustes permitem significativos ganhos de competitividade”, conta Larubia. O consultor cita como exemplo uma microempresa que trabalhava com os seus três funcionários de maneira isolada. “Nessa configuração, a produção diária era de duas peças por dia. A partir do momento que se estabeleceu uma linha de produção, a capacidade diária aumentou para sete peças”, justifica.
Para viabilizar a transferência de tecnologia e o incremento de competitividade, o SEBRAEtec é constituído por cinco linhas de apoio, que vão desde o diagnóstico até a criação de produtos “estado da arte”, que resultam em patentes. No diagnóstico empresarial é realizada a avaliação da demanda e, a partir das recomendações apresentadas, a entidade executora elabora o plano de ação. Na etapa de suporte tecnológico, serviços de consultoria são fornecidos para resolução rápida e sob medida para os problemas. Nesta linha, o suporte ocorre pelas oficinas SEBRAEtec, para o atendimento coletivo de necessidades comuns, ou individualmente, para solucionar dificuldades específicas de um negócio. Conforme o grau do problema, o auxílio é realizado in loco, ou seja, o apoio laboratorial se desloca até a empresa.
Entre as soluções oferecidas estão design gráfico de produto, de embalagem, de postos e ambientes de trabalho, racionalização de energia, tecnologias de gestão ambiental, entre outras.
Na fase de suporte empresarial, o empreendedor tem contato com ações que objetivam planejar as atividades do negócio por meio de estudos de viabilidade técnica e econômica, direcionados à inovação de produtos ou processos.
Completam as linhas de apoio o aperfeiçoamento tecnológico que desenvolve ações que solucionem, atualizem, capacitem e implementem tecnologias de processo e de produto, e que viabilizem o acesso a conhecimentos sobre a produção, e à inovação tecnológica. Este tipo de suporte oferecido pelo Sebrae-SP faz a ponte entre o conhecimento técnico desenvolvido nas universidades e os empreendedores. “Nesta linha, se produz o que pode ser chamado de estado da arte da produção. São comuns os casos de registros de patentes”, comemora Laburia.
Para o empreendedor que deseja ampliar os seus mercados, o Sebraetec oferece, em paralelo, apoio às exportações por meio do Progex. “Poucos projetos apresentam esta demanda. O interesse maior é otimizar os processos produtivos. Por isso, a maior procura pelas modalidades diagnóstico e oficina SEBRAEtec”, explica.
Flexibilidade
A estruturação do SEBRAEtec mostra uma evolução do Sebrae-SP no que diz respeito ao atendimento das necessidades das micro e pequenas empresas. O programa surgiu em janeiro deste ano a partir da unificação de quatro modalidades que objetivavam a difusão dos conhecimentos tecnológicos: Progex, SebraeTEC Projetos, SEBRAEtec Soluções e Projetos de Unidades Móveis (Prumo). “Anteriormente, as consultorias tecnológicas eram desenvolvidas e de maneira isolada”, diz Laburia. O consultor aponta como vantagem da nova configuração a possibilidade de fornecer todas as ferramentas para o empreendedor por meio de um único arcabouço jurídico. “A medida simplifica para a empresa e unifica os procedimentos”, explica.
“Nesta nova fase, vamos ampliar o atendimento para além das empresas industriais, ampliando a participação para comércio, serviços e a agropecuária. Por meio dos escritórios regionais vamos focar projetos integrados a arranjos produtivos”, revela o gerente de Inovação e Acesso à Tecnologia do Sebrae-SP, Marcelo Dini Oliveira. Para viabilizar as iniciativas, o programa pode financiar até 70% dos custos dos projetos, sendo que o restante será desembolsado pela empresa beneficiada. Sindicatos e associações produtivas trabalham em parceria com o Sebrae para difundir o SEBRAEtec.







