Apesar de as empresas registrarem números positivos no primeiro trimestre deste ano em relação a igual período do ano passado, a tendência de alta da inflação já representa um perigo para os resultados. Todos os segmentos da economia sentiram os efeitos da inflação. Mas o comércio é um dos setores mais prejudicados. Isso é o que mostra uma pesquisa realizada pela consultoria Economatica, levando em conta o balanço das 200 maiores empresas com ações negociadas na bolsa de valores.
A receita líquida operacional do comércio, entre janeiro e março deste ano, subiu 17% em relação a igual período de 2007. Mas o lucro das empresas caiu 10,1% nessa comparação.
Entre os setores que mais faturaram está a construção civil. O lucro subiu 193%, e a receita, 68% no primeiro trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado. Outros setores que apresentaram índices positivos foram automóveis, telecomunicações, petróleo e gás. Não foram consideradas a Petrobras, Eletrobras e Vale, para que os resultados não fossem distorcidos. Para explicar a tendência, a pesquisa indica a redução da margem de lucro, já que as companhias não repassam a elevação dos custos para não perder clientes.
Só em parte – O diretor executivo do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), Emerson Kapaz, concorda em parte com o resultado da pesquisa. Segundo ele, as margens de lucro podem ter sido afetadas pela inflação, mas os índices do comércio continuam positivos. “O IDV fez um levantamento que demonstra que, no mês de fevereiro em relação a janeiro deste ano, o comércio varejista registrou queda de 0,7% nas vendas. Mas em março o ritmo foi recuperado, e o índice subiu para 1,8%, se comparado ao mês anterior”, diz Kapaz. “O setor apresenta crescimento, a cada trimestre, de até 10%. A aceleração da inflação, liderada pela alta de alimentos, entretanto, não afetou a procura por itens básicos”.
Kapaz diz que o mercado é competitivo externa e internamente. “As empresas estão ajustadas ao processo global. Se elas repassarem os custos, não conseguirão vender. Um dos itens que mais cresceram foi a taxa de juro cobrada pelos bancos, que subiu 5% em janeiro – antes de o Banco Central aumentar a taxa Selic, que é referência para os juros”.