A preocupação com a inflação foi o principal tema abordado nas reuniões de diretores do Banco Central (BC) com o mercado financeiro em São Paulo, deixando a turbulência externa em segundo plano. A informação é de cinco economistas que participaram dos eventos. Do lado do BC, estiveram presentes o presidente da instituição, Henrique Meirelles; o diretor de Política Monetária, Mario Gomes Torós, e o diretor de Estudos Especiais, Mário Mesquita
Para os dirigentes da autoridade monetária, há a perspectiva de que a atividade econômica continuará a crescer e possivelmente reduzirá o “hiato do produto”. O “hiato do produto” é a relação entre o Produto Interno Bruto e o PIB potencial, entendido como o nível de crescimento sustentável da produção sem que haja risco inflacionário. Quanto mais o PIB efetivo se aproxima do potencial, maiores os riscos de pressões inflacionárias.
Mesquita reconheceu uma consolidação mais forte do crescimento. A expectativa desse diretor, de acordo com as fontes, é de que a massa de rendimentos continuará a aumentar, mas a um ritmo menor que até agora, por causa da inflação um pouco maior.
Outra fonte disse que os estímulos da política monetária ainda não foram totalmente materializados pela economia, e que Mesquita fez questão de salientar que a inflação de 2007 “já está dada”, e que o governo mira agora os números de 2008. Ele deu a entender que a inflação deverá subir nos próximos meses mais em função de um aumento da demanda do que simplesmente da diminuição da oferta, como acreditam alguns analistas. “Estamos vendo um problema de alta dos preços em função da demanda maior”, teria afirmado o diretor. (AE)