Estudo inédito da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) revela que o setor tem capacidade para dobrar a produção, sem necessidade de investimentos ou risco de gerar inflação. O levantamento, realizado pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da entidade, abrangeu mil empresas paulistas, de diversos portes e setores, entre 15 de abril e 5 de maio deste ano.
Mais de 60% das indústrias estão operando somente em um turno, enquanto 19% trabalham com dois turnos e as outras 19%, em três ou quatro. Isto significa, na média, 1,6 turno. A média de utilização da capacidade instalada está hoje em 67,5%, mas há fôlego para chegar a 82,1%, já anteriormente, registrada nos 12 meses anteriores à pesquisa. “Sem dúvida, este resultado indica que as indústrias contam com instrumentos para atender a um eventual aumento da demanda no curto prazo, investindo apenas em pessoal”, alega Paulo Francini, diretor do Depecon.
Segundo o empresário para atingir essa capacidade, as empresas utilizaram, na média, 7,2% de horas extras sobre o total de horas trabalhadas normais. Com a ampliação das horas extras, este ganho saltaria para 18,8% em média. Já com a eliminação de gargalos ou a ampliação de linhas de produção, em cinco meses, teríamos um crescimento de produção 28,8%. O estudo também considerou os custos para as empresas que necessitam de investimentos adicionais, tanto para a eliminação de gargalos quanto para a ampliação de setores na produção, e a média ficou de 26% e 48% do faturamento mensal.
Para Francini, o estudo tem conclusões óbvias, mas de grande importância para aqueles que possuem visão estática do processo de produção. “A elasticidade da produção industrial, capacidade do seu aumento é muito maior do que o imaginado. É claro que tratam-se de dados médios que certamente têm diferenças setoriais, como no caso de indústrias de processo (siderurgia, papel e celulose, setores da química), onde as possibilidades de aumento da produção são certamente menores”.
No entanto, mesmo que haja limitações para a composição do ganho de produção com horas extras e turnos adicionais, o que a dimensão do resultado mostra é que a indústria em geral tem forte capacidade de expansão da oferta. “Isto demonstra que estamos muito longe do chamado fechamento do hiato de produto, termo utilizado pelos economistas para definir o risco de a produção gerar inflação”, diz.