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Indústria espera mercado melhor em 2005

Os empresários apostam na melhora do mercado interno em 2005. A avaliação é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base nos indicadores industriais de outubro. Os dados mostram que, enquanto as vendas do setor caíram, as horas trabalhadas aumentaram, o que evidenciaria a formação de estoques. Além de estar direcionada ao natural crescimento de vendas para as festas de fim de ano, a indústria estaria se preparando para atender a demanda do próximo ano, com a contratação de pessoal.

“O fato de estarem aumentando as contratações mostra que a indústria espera a recomposição da demanda doméstica em 2005”, disse o coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco. “É de se esperar que a capacidade de oferta vai aumentar. Não tem estrangulamento na capacidade de oferta”, completou.

Para o economista, a avaliação do Banco Central, que consta das atas das mais recentes reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), de que poderá existir excesso de demanda, é “precoce”. A produção industrial continua em ritmo forte mas não “explosivo”, disse, e, por isso, não deve afetar os indicadores de inflação. Segundo o economista, a pressão inflacionária é de custo, reflexo do setor externo e da cotação internacional de petróleo e outras commodities.

Queda nas vendas – Pelo segundo mês consecutivo (setembro e outubro), as vendas reais registraram queda. Os demais indicadores, ligados à produção, mostram-se positivos, embora mais arrefecidos em relação a meses anteriores. As vendas reais da indústria caíram 0,37% em outubro ante setembro.

Segundo a CNI, desde o primeiro semestre do ano passado não havia queda nas vendas por dois meses consecutivos. Por outro lado, o número de pessoas empregadas na indústria aumentou 0,43% e o número de horas trabalhadas subiu 0,53% em outubro em relação a setembro.

Capacidade recorde – Os empresários também continuam investindo na ampliação da capacidade instalada. Esse indicador bateu novo recorde e atingindo 84%. Porém, descontados fatores sazonais, teve leve queda em outubro e atingiu 82,7% ante os 83,1% de setembro. Segundo Castelo Branco, o conjunto de dados sinaliza que não haverá gargalos de produção em alguns setores, como temiam alguns analistas.

Os salários pagos pelo setor produtivo subiram 0,55% em outubro, se comparados ao mês anterior.

Para 2005, Castelo Branco avaliou que o cenário interno deve ser melhor para o setor. Em contrapartida, ele avalia que a demanda externa deverá não ser “tão favorável” como foi em 2004.

O economista disse que a oscilação no preço internacional do petróleo e os indicadores negativos da economia norte americana (aumento do déficit público e em conta corrente) devem ser fonte de instabilidade nos mercados cambiais, podendo gerar uma valorização excessiva do real. “O cenário internacional será menos amigável para o Brasil em 2005”, disse. “Mas não será um cenário de dificuldades e sim, de menos facilidades”, completou.

Juros – O coordenador da CNI também avaliou que a queda nas vendas do setor em setembro e outubro pode estar refletindo, se não o aumento da Selic, pelo menos a expectativa da trajetória de aumento da taxa básica de juros.

“Isso é um esboço do início de uma fase de desaquecimento das vendas industriais. O processo de intensificação da política monetária contracionista prejudica todo o setor”, diz o boletim Indicadores Industriais, divulgado pela CNI.

Para Castelo Branco, a trajetória de queda dos indicadores industriais em outubro já era esperada porque, desde julho, iniciou-se uma fase de acomodação. “As taxas agora são mais moderadas embora algumas continuem bastante expressivas”, disse.

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