Em setembro, de acordo com a Pesquisa Mensal da Indústria divulgada pelo IBGE, a indústria apresentou forte queda de 10,9% em base anual, com um dia útil a menos, constituindo a 19 ª queda consecutiva.
Merece destaque o perfil cada vez mais disseminado da contração. Na mesma base de comparação, o recuo da produção de veículos alcançou a 39,3%, também se destacando no campo negativo os segmentos de informática e eletrônicos, têxteis, borracha e plástico, com retrações de 27,9%, 22,5% e 15,2%, respectivamente. No acumulado do ano, o declínio da atividade industrial chegou a 7,4%, enquanto nos últimos 12 meses correspondeu a 6,5%.
Em termos das categorias de uso, também é importante mencionar, ainda na comparação com setembro de 2014, que as maiores influências negativas continuaram sendo os setores de bens de capital e de bens de consumo duráveis, cuja produção apresentou diminuição de 31,7% e 27,8%, respectivamente.
A maior taxa de juros, aliada à menor demanda e à forte queda na confiança dos empresários, no contexto de estoques elevados e maiores custos, explicam a continuidade e o aprofundamento da crise industrial. “A queda de confiança precisa ser combatida por nós, empresários. Ela aumenta a crise que já existe e é causada por erros de gestão dos governos. Temos que manter nosso otimismo e continuar trabalhando. Somos maiores que eles”, afirmou o vice-presidente da Indústria da ACE-Guarulhos, Carlos Dias.
No confronto com setembro do ano passado, já começam a aparecer alguns sinais de recuperação, devido à alta do dólar, sugeridos pelo crescimento da produção da indústria extrativa (2,6%), produtos alimentícios (0,3%) e celulose e papel (0,5%). Esses resultados positivos, contudo, não deverão evitar uma queda anual expressiva da atividade industrial, com consequências bastante negativas para a renda, o emprego e a atividade econômica em geral.