A avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva piorou, reflexo de sua atuação na área tributária. Entre novembro de 2004 e março deste ano, seu índice de aprovação apresentou queda de 62% para 58%, de acordo com a pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta terça-feira, 22. Trata-se de uma variação relevante, considerando que a margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais.
Também contribuíram para piorar a avaliação do governo o aumento da expectativa de desemprego e a desaprovação dos entrevistados em relação à taxa de juros.
A política de impostos do governo Lula teve o maior índice de reprovação entre todos os quesitos avaliados na pesquisa. No total, 68% dos entrevistados afirmaram que desaprovam a atuação do governo nesta área.
Esta foi a primeira vez que a pesquisa decidiu avaliar a questão dos impostos, o que, de acordo com especialistas, contribuiu para piorar a avaliação do governo. Para 54% dos entrevistados, os impostos aumentaram muito nos últimos anos (a pesquisa não identifica o período exato); 21% acham que subiram pouco; para 10% não aumentaram nem diminuíram; e para 4% até diminuíram um pouco.
A população, de acordo com o levantamento, não vê uma relação direta entre aumento de impostos e melhoria nos serviços públicos. No conjunto dos entrevistados, 50% disseram não ter visto melhorias; 32% afirmaram que os serviços pioraram; 13% disseram que melhoraram; e 5% não deram opinião.
“Os números revelam que a população não encontra simetria entre a atual onerosidade e a prestação de serviços públicos”, diz o texto de apresentação. “Desse modo, a atuação do governo no campo tributário encontra-se sob forte desaprovação.”
O texto de apresentação da pesquisa CNI/Ibope chama a atenção ainda para o elevado grau de desinformação sobre impostos que existe no contingente da população de menor instrução. Enquanto nos grupos de nível médio e superior a desaprovação da política de impostos chega a 75%, no segmento de menor instrução baixa para 59%, enquanto 19% não sabem opinar. Na estratificação regional, a desaprovação à política tributária do governo é maior na Região Sul do País (71%), nos grandes municípios (71%) e na periferia (76%).
Política de juros – O estudo também registrou alteração expressiva na avaliação da política de juros. Em novembro, o índice dos que criticavam essa política era de 6%. Hoje chega a 12%. Segundo os autores da pesquisa, esta variação seria reflexo dos sucessivos anúncios de elevação da taxa Selic e o debate que eles provocam.
Nesta pesquisa foram ouvidos 2.002 eleitores em 143 municípios, entre os dias 10 e 14 deste mês.