As multinacionais Shell e Esso estão autorizadas a importar e vender no varejo gasolina e óleo diesel importados para competir com a Petrobrás. Mas, para consultores e varejistas de combustíveis, a população não deverá contar com baixas no preço dos derivados de petróleo vendidos nos postos.
De acordo com o consultor Mauro Mazzaro, da Planner Consulting, a concorrência é inevitável, mas demorará a ser benéfica para o consumidor.
“As empresas entraram nesse mercado com o objetivo de competir com a Petrobrás. Mas os efeitos dessa concorrência não ocorrerão de um dia para o outro, já que as multinacionais ainda estão em fase de negociação com a ANP e dependem de outras autorizações”.
Para a consultora de combustíveis Fabiana Fantoni, da Tendências Consultoria Integrada, qualquer impacto só deverá surgir a partir de 2003. “Além de as empresas precisarem terminar de negociar com a ANP, terão de trazer os derivados do exterior”.
Como alternativa, ela comenta que a Shell e a Esso podem usar a mesma fórmula adotada pela Copene, que é a de comprar metade dos derivados da Petrobrás e a outra metade do exterior.
Varejo aposta em estabilidade do preço
Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo de São Paulo (Sincopetro), José Alberto Paiva Gouvêa, a decisão da Shell e da Esso de entrarem nesse mercado é saudável pelo princípio da concorrência, mas os efeitos para o consumidor não deverão ser exatamente os de baixa nos preços.
“Essas empresas ainda estão se preparando, negociando, por isso, os reflexos aparecerão a longo prazo. Mas acho a iniciativa ótima”. Segundo Gouvêa, a única diferença para o consumidor é que os consecutivos reajustes no preço da gasolina devem acabar. “O preço dos derivados não deve baixar por causa da concorrência, até porque a Petrobrás tem um preço de mercado muito bom em comparação com o mercado internacional. A Shell e a Esso devem acompanhar esses preços. Assim, podem acabar com os reajustes e conservar os preços”.
Importação depende de ações burocráticas
As empresas foram autorizadas a importar na segunda-feira passada, mesmo dia em que foi publicado o relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), mostrando que a produção mundial do petróleo em abril caiu a 7,54 milhões de barris/dia, o nível mais baixo dos últimos nove anos.
A Esso entrou com pedido junto à Agência Nacional do Petróleo (ANP) para importar os dois derivados. Para ser aprovada, a empresa terá de cumprir um requisito da ANP, que será montar uma comercializadora “trader”.
A Esso já cumpriu a regra e a Shell ainda espera a conclusão do processo de abertura da comercializadora para obter a licença necessária.
Até agora, a ANP autorizou 24 empresas a importar derivados. Duas delas, Petros Energia e Coimbra, confirmaram a importação dos dois produtos. Outros pedidos, um deles da Esso, estão sendo analisados pela agência.
THAÍS ANDRIOLI