Guerra dos preços: no mundo real e no virtual
O olhar isolado sobre a inflação da internet, no mês de setembro, causa um certo espanto. Depois de três meses negativo, o e-flation, índice de preços online, subiu 3,45% e caminha, aparentemente, na contramão dos indicadores da vida real. Mas, segundo os responsáveis pelo índice, uma comparação desse tipo não deve ser feita.
“O e-flation é mais volátil e não computa alimentos e produtos perecíveis (considerados nos outros indicadores). É mais voltado para bens duráveis”, diz Luiz Paulo Lopes Fávero, coordenador técnico do índice, que é calculado pelo Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração (Provar/Fia) da Universidade de São Paulo.
Fávero explica que o e-flation é composto por produtos diferentes e uma cesta-base móvel, atualizada a cada três meses. Ela acompanha a periodicidade da pesquisa do Provar/e-bit de Expectativas de Consumo na Internet. Para compor o e-flation, são coletados preços dos produtos mais vendidos dentro das categorias analisadas (CDs e DVDs, livros, eletro-eletrônicos, informática, telefonia, perfumaria, produtos para casa, brinquedos, viagem e turismo e linha branca). “Reavaliamos a cada três meses, porque na internet a variação é muito rápida.” Os pesos de cada categoria também sofrem alteração.
Viagens – A inflação de 3,45% em setembro (contra deflação de 1,29% em agosto) reflete especialmente a sazonalidade da categoria viagem e turismo (alta de 29,41%). Segundo Fávero, nesta época, as viagens começam a entrar no pico sazonal, com fechamento de pacotes para o final do ano.
O segundo maior impacto veio dos produtos para casa (5,30%), seguidos de livros (4,67%); perfumaria (4,07%), brinquedos (2,51%), linha branca (1,96%), CDs/DVDs (1,69%) e informática (0,75%). Eletroeletrônicos e telefonia registraram deflação.





