Guarulhos entra no ciclo do agronegócio
A Incubadora de Empresas de Guarulhos e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lançaram ontem, na Escola Superior Paulista de Administração (ESPA), o edital de uma parceria inédita no município, que tem por objetivo principal impulsionar o agronegócio na cidade.
José Manuel Cabral, chefe-geral da Embrapa Recursos Genéticos e Tecnologia, com sede em Brasília (DF), afirmou que a entidade pretende enfatizar a transferência de tecnologias e colocá-las em uso pelos pequenos produtores, associações de produtores e até mesmo cooperativas, e isso pode ser potencializado na cidade justamente pela incubadora. “Temos que pensar na sustentabilidade do agronegócio através de quatro vertentes: social, econômica, ambiental e cultural, sendo que esta última vem de encontro aos pequenos produtores regionais, que valorizam justamente os produtos de sua região”, disse.
Cabral citou o exemplo de pequenos produtores de países como Itália e França, que fabricam queijos e vinhos. Para ele, é possível que em Guarulhos, apesar de ser uma cidade com forte apelo industrial, haja um grande desenvolvimento do agronegócio. “Estou certo de que aparecerão várias oportunidades de negócios nesse novo cenário de inovação e transferência em que vivemos. Guarulhos é uma região em que vários negócios podem ser potencializados, já que muitas empresas se interessarão por essas tecnologias agora colocadas à disposição”, afirmou.
O projeto – Através do Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Novas Empresas de Base Tecnológica Agropecuária e à Transferência de Tecnologia (Proeta), que trabalhará exclusivamente com incubadoras espalhadas pelo país, tecnologias desenvolvidas pela Embrapa serão oferecidas para essas entidades, que poderão adquirir novos conhecimentos no setor e repassá-los às empresas incubadas.
A Incubadora de Guarulhos foi escolhida para sediar o lançamento do edital por ser reconhecidamente uma das com melhores resultados no país, com 42 empresas incubadas, sendo a segunda maior do Brasil nesse quesito. No final de 2006, eram apenas sete projetos, e o objetivo é chegar a 70 no ano que vem. Além disso, ela fornecia 26 postos de trabalho há um ano e meio, mas agora já conta com 186. Por fim, o faturamento das empresas passou de R$ 53 mil em 12/06 para R$ 450 mil em junho deste ano.
O Proeta, que nasceu de uma parceria entre o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Fundo Multilateral de Financiamento (Fumin), deverá se estender até o final de 2009. Até lá, os projetos deverão ser desenvolvidos em parceria com as mais de 400 incubadoras espalhadas pelo Brasil. Em Guarulhos, a previsão é que pelo menos R$ 1 milhão seja investido pela Embrapa neste período em transferência tecnológica.
Incubadora deverá ir para área de 2 mil m² – Para que novos projetos possam ser incluídos no município, é necessário um espaço maior que o de pouco mais de 700 m² que a Incubadora ocupa atualmente na Vila Rio de Janeiro. Desse modo, até o final deste ano deverá haver uma mudança para uma área de aproximadamente 2.000 m² em Cumbica, com aluguel bancado pela Prefeitura.
Yutaka Kanbe, secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico, frisou que, com o desenvolvimento da cidade, a atividade agrícola começou a ser realizada cada vez mais longe das regiões centrais, o que é um processo natural devido à chegada das indústrias e ao crescimento da população, que tem de encontrar um local para morar e assim acaba construindo cada vez mais moradias no entorno da cidade.
Com o convênio, acredita o secretário, Guarulhos poderá voltar a ter uma atividade agrícola significativa, e essa discussão também poderá ser estendida à Agência de Desenvolvimento da Região do Alto Tietê (Adrat), que engloba mais de uma dezena de cidades próximas a Guarulhos e que ainda têm forte apelo agrícola. “Além disso, é importante dizer que diversos produtos agrícolas entram e saem do país por Guarulhos, no aeroporto internacional. A cidade, portanto, está presente na cadeia de comércio exterior do país”, concluiu.







