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Gráficas ampliam presença na exportação

Guarulhos, 23 de fevereiro de 2005

Após acumular quatro anos consecutivos de déficit na balança comercial, o setor gráfico inverteu sua trajetória para superavitário, de 2003 para cá, e se prepara para um outro salto em 2005. A cifra exportada em 2004 atingiu os US$ 193,7 milhões, e, apesar de no conjunto do setor representar um incremento real (descontada a inflação) de só 2,88% em relação ao desempenho do ano anterior, para este ano, individualmente, muitas gráficas preparam-se para dobrar o volume exportado. De acordo com Alfried Plögger, presidente da Associação Brasileira de Indústria Gráfica (Abigraf) em São Paulo, “as projeções de novos negócios para o mercado externo continuam favoráveis em 2005, ano em que a receita total deve fechar em, no mínimo, US$ 200 milhões de negócios, representando uma alta real de 4% em relação a 2004. Como medida imediata, um pool de 40 empresas associadas à Abigraf firmou uma parceria com a Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex), para desenvolver um projeto comum e eficaz de incentivo à exportação: o Graphia. Em seu primeiro ano de atuação, o Graphia foi responsável por exportar US$ 40 milhões e, para este ano, é esperado que essa cifra suba para cerca de US$ 50 milhões.

Entre os segmentos do setor com o maior número de participantes no projeto está o de impressões para embalagens, com 12 empresas. São elas também que mais se destacam entre as vendas globais ao exterior, sendo responsáveis por 47% de todas as negociações em 2004. Alguns empresários, como Maurício Groke, diretor da Gráfica Antilhas, aponta o processo de globalização como um outro fator de preponderância para as exportações de seus serviços. É por esse motivo que Groke tem como meta ao longo deste ano dobrar o volume de mercadorias exportadas, atingindo a cifra de US$ 1 milhão. O ano de 2004 já representou essa tendência de alta, quando a Antilhas registrou um crescimento de 40% nas exportações, em relação ao ano anterior. O cenário otimista, segundo Groke, é estimulado pela alta de 70% nos negócios de exportação registrados no último mês de dezembro, frente ao mesmo mês do ano anterior. “Nunca estivemos tão abertos ao mundo”, diz Groke, citando os destinos inéditos conquistados em 2004 para seus produtos, chegando ao México, a Argentina e ao Uruguai. Atingir um incremento de 100% nas exportações, em 2005, também é a proposta da Gráfica Posigraf, do Grupo Positivo, que deve acumular R$ 4 milhões até o final do ano com as vendas para o exterior.

A empresa curitibana investiu US$ 20 milhões na modernização de seu parque gráfico, o que lhe conferiu condições de participar de licitações internacionais para produção de livros e revistas. De olho num mercado que vê no País atrativos, como custos baixos em relação ao dólar e a mão de obra, a Posigraf criou, há dois anos, um departamento exclusivo para tratar de novos negócios no exterior. “Com certeza, a oferta de serviços em outros países é grande”, declarou Giem Guimarães, diretor da Posigraf. Hoje, a gráfica, que fechou 2004 com faturamento de R$ 130 milhões, entrega livros didáticos para 19 escolas do Japão, além de imprimir 400 mil exemplares da revista Living Spirit, voltados a questões do Espiritismo, e que circula na Inglaterra, Alemanha e França. Além disso, a empresa é responsável pela impressão da revista Comprar, dedicada a temas voltados ao consumo, e que circula para o público latino nos Estados Unidos. O próximo desafio, diz Guimarães, é tentar negócios com países africanos, ainda em 2005. Também com foco em países em desenvolvimento, a subsidiária da americana AlphaGrafics no Brasil oferece prestação de serviços para os vizinhos da América do Sul, como Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile. “O grupo é conhecido por sua qualidade e atendimento rápido”, diz Paulo Cesar de Azevedo Antunes, diretor executivo da empresa. A estimativa é de exportar 15% em 2005. A GeGraf, cuja fatia de exportações representou, em 2004, 5% do faturamento global, espera que esse percentual suba para 30% em um prazo de até cinco anos. No ano passado foi a primeira vez que a empresa exportou, e para 2005, é esperado repetir o desempenho das exportações. A BrasilGráfica é uma que trabalha com as exportações indiretas, responsáveis por 8% dos negócios da empresa.

Mariana Zylberkan/Robson Bertolino/Guilherme Vieira