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Governo vende ações do BB

Guarulhos, 15 de julho de 2002

Entre setembro e outubro o governo vai vender, em oferta pública, as ações do Banco do Brasil excedentes do controle de 51% de participação acionária da União, numa operação de pulverização em que os trabalhadores poderão participar, utilizando recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), como aconteceu em duas outras anteriores, da Petrobrás e Vale do Rio Doce.

Segundo o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Eleazar de Carvalho, faz parte desta operação a conversão de todas as ações preferenciais, em poder do público, em ações ordinárias (com direito a voto), o que dará ao BB status de segunda empresa a ter seus papéis negociados no chamado “novo mercado” da Bovespa.

Segundo avaliações de especialistas, a operação poderá injetar nos cofres do governo entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão. A decisão final que confirmará ou não o uso do FGTS na operação do BB depende da discussão entre os membros do Conselho Curador do Fundo, que ainda não ocorreu. Mas o enorme interesse manifestado pelos trabalhadores na operação da Vale, quando a demanda foi três vezes maior do que o limite permitido, deverá influenciar favoravelmente a decisão, sobretudo entre os líderes sindicais que integram o conselho do FGTS.

Segundo o presidente do BNDES, a operação BB terá algumas diferenças em relação às da Petrobrás e Vale. A primeira delas é que não será uma operação de oferta global: ficará restrita ao mercado brasileiro. O investidor estrangeiro que desejar participar vai trazer seus recursos de fora e adquirir ações aqui.

Haverá limitações ao capital estrangeiro, cuja participação acionária não poderá exceder a 25%. O formato de oferta pública das ações dará maior agilidade à operação, dispensando o cumprimento de certos prazos. “Uma vez cumpridas as exigências da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a operação pode ser imediatamente realizada”, diz confiante o presidente do BNDES. No dia 6 de agosto será contratada a empresa que vai preparar a venda.

Novo modelo

A partir desta operação, o Banco do Brasil mudará inteiramente seu modelo de gestão. Permanecerá estatal, inclusive com o governo compondo a maioria no conselho de administração, mas sua gestão ganhará características de banco privado. O que garantirá isso será a particularidade de ter a totalidade de suas ações ordinárias, com direito a voto, o que dá aos acionistas minoritários meios para dividir a composição da diretoria com o governo, fiscalizar de perto as decisões dos diretores e, nas assembléias, denunciar atos que considerem contrários aos interesses do banco e votarem em bloco contra propostas do representante do governo.

Esse novo modelo, acreditam especialistas em mercado de capitais forçará a uma gestão responsável, profissional e transparente, deixando para trás o longo passado de uso político do BB por governantes.