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Governo reduz a previsão de déficit em conta corrente

O déficit em conta corrente do Brasil diminuiu para seu menor nível desde janeiro de 1997, em julho e levou o governo a reduzir a previsão de saldo negativo para o ano. No mês passado, o déficit somou US$ 550 milhões, ante o US$ 1,294 bilhão apurado em junho e os US$ 2,037 registrados em julho de 2001.

Segundo o Banco Central, a melhora do resultado em julho deve-se ao superávit da balança comercial, que chegou a US$ 1,1 bilhão no mês. Nos últimos 12 meses terminados em julho, o déficit em conta corrente caiu para US$ 16,666 bilhões, o que representa 3,19% do Produto Interno Bruto (PIB).

O déficit acumulado em 12 meses vem diminuindo desde o final de 2001. Em setembro, por exemplo, estava em US$ 26,350 bilhões (5,05% do PIB). Passou para US$ 22,058 bilhões em janeiro (4,36% do PIB) e, em junho, estava em US$ 18,153 bilhões (3,5% do PIB). Com isso, o BC reduziu as projeções de déficit para 2002. A estimativa, que era de US$ 19,694 bilhões, caiu para US$ 17,034 bilhões.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, a revisão das perspectivas deve-se aos sucessivos saldos positivos da balança. Para 2003, o governo prevê um déficit externo ainda menor, de US$ 15,401 bilhões. O saldo comercial, por sua vez, deve atingir US$ 9 bilhões, nas contas do BC.

Na semana passada, o governo também elevou para US$ 7 bilhões a estimativa de superávit comercial deste ano. Na segunda-feira (26), o ministro do Desenvolvimento, Sérgio Amaral, havia dito que o saldo comercial de US$ 7 bilhões deveria contribuir para a redução do déficit em conta corrente. Na sua avaliação, o déficit deveria fechar o ano em apenas 3% do PIB. Altamir afirmou que a balança comercial “tem sido ajudada pelo câmbio, mas que também está se observando um fenômeno de substituição de importações”. Ele acrescentou que o saldo projetado para este ano “é conservador”.

O presidente do BC, Arminio Fraga, afirmou que o déficit em conta corrente poderá ser menor que a previsão de US$ 17 bilhões, ainda este ano. Nos 12 meses encerrados em julho de 2001, o déficit em conta corrente era de US$ 27,353 bilhões (5,02% do PIB).

Balanço – O balanço de pagamentos foi deficitário em US$ 2,393 bilhões em julho. Os gastos registrados na conta de serviços e renda, que inclui pagamento de juros, remessas de lucros e dividendos e despesas de viagens ao exterior, caíram de US$ 2,2 bilhões em julho de 2001 para US$ 1,9 bilhão em julho deste ano. Em agosto, essa redução deverá ser acentuada. Lopes, estima um déficit de apenas US$ 150 milhões no mês.

Os dados das primeiras semanas de agosto confirmam a expectativa. Até hoje, os gastos com juros somavam US$ 601 milhões, praticamente a metade do US$ 1,1 bilhão registrado em julho. Nos primeiros sete meses do ano, o balanço de pagamentos acumula um superávit de US$ 2,975 bilhões. As reservas internacionais do país caíram em US$ 2,9 bilhões em julho, totalizando US$ 39,1 bilhões.

Dívida externa– Em maio, a dívida externa estava estimada em US$ 208,151 bilhões – valor superior à prévia de abril, de US$ 207,919, mas inferior ao resultado fechado de março, de US$ 210,777 bilhões.

Giuliana Napolitano/Agências

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