Na busca dos votos pela aprovação da emenda que prorroga a vigência da CPMF, o Ministério da Fazenda preparou uma planilha com estimativas de perdas que cada Estado terá por ano se a cobrança da contribuição não for aprovada pelo Senado. Pelos cálculos, o Estado de São Paulo perderá R$ 3,7 bilhões. Já Minas Gerais ficará sem R$ 1,61 bilhão de recursos da CPMF que seriam usados no Estado. As perdas para o Rio Grande do Sul foram estimadas em R$ 1,05 bilhão. Os governadores desses três Estados são do PSDB, principal partido de oposição ao governo.
Os dados foram sendo apresentados ontem aos senadores numa ofensiva pela aprovação da CPMF.
Após a decisão anunciada pela bancada do PSDB de rejeitar a proposta de negociação apresentada pela equipe econômica do governo, a estratégia agora é reforçar os contatos individuais no Senado, com o apoio dos governadores do PSDB, e buscar uma coesão forte da base aliada, sobretudo com os senadores do PMDB.
O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) foi convidado para uma “aula” sobre CPMF, no Ministério da Fazenda, quando lhe foi apresentada a planilha de perdas dos Estados. O senador vai levar os números para uma reunião com bancada do PMDB. “Não tem como não aprovar a CPMF. Eu estou levando os dados para uma reunião do PMDB. O senador que representa um Estado e não aprovar a CPMF é simplesmente um irresponsável”, disse o senador.
Segundo Salgado, 18 dos 20 senadores da bancada do PMDB devem votar a favor da CPMF. Para ele, o PMDB é o fiel da balança na votação da CPMF.
Mas ele acredita que senadores da oposição também vão votar a favor da CPMF. “Partido não tem voto, quem tem voto é o senador. É o senador que vai ter que dar explicação no local onde tem voto. Se for achar que é aquele tucaninho que vai ter voto, não vai ter”, disse o senador. “Você acha que o Aécio Neves (governador de Minas Gerais), com o choque de gestão, vai perder R$ 1,6 bilhão?”, perguntou Salgado.
O senador disse não acreditar que os dois outros senadores de Minas Gerais (Eduardo Azeredo, do PSDB, e Eliseu Resende, do DEM) votarão contra a CPMF. “Eles não vão deixar o Estado sem R$ 1,6 bilhão”, disse.