Governistas criticam a possível compra de prédios pela Câmara
A ideia do presidente do Legislativo, Alan Neto (PSC), de comprar os atuais prédios da Câmara Municipal, que são alugados, ao invés de construir uma nova estrutura na Praça das Pedras, foi rechaçada pela base do Governo. Reportagem exclusiva do GH na última semana revelou que Neto decidirá sobre o que fazer sobre este assunto apenas no próximo ano. O líder do Governo no Legislativo, Zé Luís (PT), criticou a falta de continuidade do atual presidente ao projeto do antecessor Paulo Carvalho. “O prédio possui problemas de espaço. Os gabinetes não são iguais e alguns cabem no máximo quatro pessoas. Construir a sede vai demorar uns seis anos, mas será melhor. Está faltando um pouco de ousadia e humildade aos presidentes da Câmara.”
No ano passado, a Câmara aprovou a cessão de uma área da Prefeitura na Praça das Pedras para a construção da nova sede do Legislativo. Além disso, a Casa de Leis e o Executivo compraram um terreno no valor de R$ 1,6 milhão para servir de estacionamento. De acordo com o líder da bancada petista na Casa de Leis, Auriel Brito, não é viável a compra das duas edificações que são usadas atualmente. “Não há ventilações nos prédios. É preciso parar de pagar aluguel.”
O líder da Oposição no Legislativo, Geraldo Celestino (PSDB), acredita que é preciso avaliar qual é a melhor proposta. “Se o custo de compra do prédio for menor, será uma vantagem para o município.” Ele acredita que Neto precisa definir em breve qual a melhor medida. “Nós votamos nele para presidente da Câmara porque prometeu que o Legislativo teria sede própria.” O tucano sugere que, se não for utilizado o terreno na Praça das Pedras para a Casa de Leis, a Prefeitura poderia construir um prédio para alguma Pasta. “Tem tantas secretárias em imóveis alugados, que poderia se utilizar o local para evitar esse problema.”
Repercussão – O secretário de Governo, Alencar Santana Braga, criticou a intenção de Neto de a Câmara adquirir os prédios atuais. “O Legislativo precisa de uma sede própria. É bom lembrar que foram utilizados recursos públicos para conseguir os terrenos na Praça das Pedras.” O presidente da Associação Comercial e Empresarial (ACE) de Guarulhos, Wilson Lourenço, acredita que o impasse deve ser resolvido. “Os poderes precisam funcionar em prédios próprios para não onerar os cofres públicos.” O diretor titular do Ciesp, regional Guarulhos, Daniele Pestelli, entende que há vantagens em manter os imóveis atuais. “Os prédios estão bem localizados e freqüentados. Me parece sensato tentar preservar essa vantagem.”
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, subseção Guarulhos, Aírton Trevisan, dúvida que é possível comprar os prédios na rua João Gonçalves. “O preço do metro quadrado no centro é um absurdo. A construção do prédio pode ser feita de acordo com as necessidades da Câmara.” Já para o presidente da Associação dos Empresários de Cumbica (Asec), Antonio Roberto Marchiori, falta planejamento no Legislativo. “A descontinuidade traz prejuízos aos bens públicos. Cada dirigente esquece o que foi planejado pelos anteriores. Não sei quais as razões para comprar os prédios.”