A Prefeitura de Guarulhos gastou, apenas no primeiro semestre deste ano, 16,61% a mais em obras de recapeamento do que nos últimos três anos juntos. São R$ 5.652.823,08, este ano, contra os R$ 4.847.625,72 em 2005, 2006 e 2007. Em 2005, primeiro ano do segundo mandato de Elói Pietá, a Prefeitura gastou R$ 899.566,32, contra apenas R$ 120.542,80 em 2006 e R$ 3.827.516,60 em 2007. Os dados foram fornecidos pela própria Prefeitura, a pedido do vereador Geraldo Celestino (PSDB), presidente da Comissão de Obras e Serviços da Câmara.
Se forem somados os dois primeiros anos após a reeleição, Guarulhos teve apenas 10 vias recapeadas, sendo sete em 2005 e três em 2006. Contudo, apenas no ano passado, esse número subiu para 19 e, no primeiro semestre deste ano, chegou a 20. Algumas vias foram recapeadas duas vezes em um curto período de tempo, como a rua Cachoeira (em 2006 e 2008) e as avenidas Monteiro Lobato (em 2007 e 2008), Juscelino Kubitschek de Oliveira (em 2007 e 2008) e Guarulhos (em 2007 e 2008).
Nos últimos três anos e meio, foram recapeadas na cidade, portanto, 39 vias, algumas mais de uma vez. No total, isso equivale a praticamente 319 km² de novas pavimentações. Contudo, o valor gasto com tapa-buracos, trabalho realizado pela Proguaru (Progresso e Desenvolvimento de Guarulhos), mas com repasses municipais, é consideravelmente maior do que com pavimentações.
Eleitoreira – Para Celestino, a questão eleitoreira está presente no aumento de obras neste ano. Ele disse que pretende marcar, durante a sessão ordinária de hoje, reunião com os membros da Comissão, vereadores Francisco Bodão (PSL) e Adílson Valente (PC do B), para discutir e pedir abertura de Comissão Especial de Inquérito (CEI). “Será difícil conseguir a CEI. Já era complicado antes, mas agora, em período eleitoral, é ainda pior”, disse Celestino, referindo-se à atuação da base governista da Câmara.
O vereador, contudo, pode até entrar na Justiça para conseguir instalar o inquérito. “Se for comprovado o uso eleitoreiro das obras, vamos denunciar ao Ministério Público”, revelou Celestino.
Gastos com tapa-buracos são ainda maiores – Não é só o crescimento dos gastos com recapeamentos em ano eleitoral o que apontam os números. Os gastos com tapa-buracos são bem maiores do que os com novo asfalto, em todos os anos deste segundo mandato de Elói Pietá. Enquanto gastou R$ 5.652.823,08 com recapeamentos no primeiro semestre deste ano, a Prefeitura desembolsou ainda mais para fechar buracos nas vias: R$ 6.492.638,74.
Em 2007, consertos nas vias guarulhenses levaram dos cofres públicos R$ 12.853.664,13, contra os R$ 3.827.516 dos recapeamentos. Em 2006, os gastos com tapa-buracos (R$ 10.351.012,35) foram quase 86 vezes superiores aos com recapeamentos.
Asfalto da cidade é alvo de reclamações – Os recapeamentos são alvo de críticas da população, como mostraram reportagens publicadas pelo Guarulhos Hoje nos últimos meses. Na semana passada, o jornal mostrou o descontentamento de pedestres e motoristas que passam diariamente pelo trecho da avenida Tiradentes, em frente à Associação Cristã de Moços (ACM), onde as obras parecem estar abandonadas.
Pedestres reclamam das dificuldades de transitar pela calçada. Motoristas reclamam, já que buracos começaram a aparecer no asfalto novo. Na avenida Carlos Ferreira Endres, perto do Internacional Shopping Guarulhos, o problema é o desnível entre as duas metades da pista.
O engenheiro especializado em pavimentos asfálticos, Adalberto da Cunha Silva, afirmou que os trabalhos feitos pela Secretaria de Obras e Serviços Públicos e pela Proguaru foram inadequados, e citou como exemplo a falta de fresagem (etapa anterior ao recapeamento) na avenida Tiradentes. Silva prevê novos buracos, no período das chuvas.
Prefeitura rebate críticas de gastos
A Secretaria de Obras e Serviços Públicos rebate críticas:
Investimento maior – Deve-se ao aumento da arrecadação e aos recursos externos”Eleitoreira – “As obras não são eleitoreiras, sendo executadas de acordo com a capacidade financeira da Prefeitura, não importando o período da gestão.
Tapa-buraco – A malha viária da cidade é bastante extensa e esses serviços são feitos em todas as regiões da cidade.
Recapeamento – As vias citadas não foram recapeadas duas vezes. As vias tiveram trechos recapeados em um ano e outros trechos recapeados em outro ano, de acordo com os recursos disponíveis.
Custo – O serviço de tapa-buraco tem custo maior que o de recapeamento porque é preciso refazer a base do pavimento.