ACE-Guarulhos

Garantia de crédito é o novo filão das firmas de fomento

Por conta de falhas na legislação, as empresas brasileiras especializadas em factoring internacional (modalidade de crédito voltada para o comércio exterior) estão mudando de foco e oferecendo apenas serviços de garantia, um produto promissor, que cresce a uma taxa de pelo menos 10% ao ano e movimentou cerca de US$ 70 milhões em 2004.

O factoring, também conhecido como fomento mercantil, consiste na compra, mediante deságio, de papéis que representam créditos oriundos de operações comerciais. Os negócios podem ser feitos tanto no mercado doméstico quanto no internacional, entretanto, o risco das operações externas é bastante elevado, já que as factorings estão impedidas por lei de fazerem o fechamento do câmbio. Ou seja, somente o titular do crédito (exportador) é que pode internalizar os recursos recebidos do importador.

Na garantia, por sua vez, não existe a compra do crédito. O exportador paga uma taxa sobre o valor das mercadorias embarcadas (em média de 1,2%) e tem a certeza de que vai receber pela venda. Quem garante a operação é uma factoring localizada no país do importador. Diferentemente do Brasil, em nações como Estados Unidos, França e Alemanha, grandes conglomerados financeiros como Deutsche, BNP Paribas e HSBC possuem empresas de factoring.

“Para alguns clientes específicos fazemos a compra do crédito, no entanto, estamos nos posicionando como fornecedores de garantia para os exportadores”, explica a sócia da SM International, Simone Melo Fridschtein.

Segundo ela, dos US$ 70 milhões garantidos no ano passado pelas duas empresas brasileiras sócias do FCI (entidade internacional que reúne factorings de diversos países), apenas cerca de 15% englobaram a compra dos créditos.

Hoje, do Brasil, apenas a SM, de Fortaleza, e a Exicon, de Porto Alegre, são membros do FCI, que também funciona como uma espécie de bolsa de negócios entre seus associados.
Entre as principais vantagens da garantia em relação ao seguro estão prazo e flexibilidade de volumes. Na garantia, em caso de inadimplência, o pagamento do valor da exportação é feito em 90 dias. No caso dos seguros, as indenizações dificilmente são quitadas antes de cinco meses da comunicação do sinistro.

Com relação a volumes, de acordo com Simone, na garantia não existem valores mínimos nem máximos. “Uma operação de US$ 1 mil pode ser garantida”, exemplifica a executiva.
Já os seguros, em geral, são feitos apenas para valores maiores e para exportadores freqüentes.

“Operações abaixo de US$ 40 mil por mês ficam inviáveis por causa dos custos administrativos”, informa o presidente da SBCE (seguradora controlada por instituições como Banco do Brasil, Bradesco, Unibanco e BNDES, entre outras), Nelson Higino da Silva.

O custo dos prêmios, de acordo com Silva, variam entre 0,1% e 2% do valor exportado. “Fatores como volume, setor importador, país e prazo fazem as taxas flutuarem para cima ou para baixo”, diz.

Segundo o presidente da SBCE, o surgimento de produtos de garantia não devem causar impactos nos negócios, já que a demanda está bastante aquecida nos últimos tempos, acompanhando o bom desempenho da balança de pagamentos.
 
Luis Fernando Klava

Sair da versão mobile