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Formais e informais têm nível igual

Não há mais diferenças de escolaridade significativas entre trabalhadores formais e informais no meio urbano brasileiro

Em 20 anos, a escolaridade média dos ocupados subiu 46,4%, passando de 5,6 anos de estudos, em 1985, para 8,2 anos em 2005. É o que mostra uma pesquisa desenvolvida pelo professor do Instituto de Economia (IE) e membro do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Márcio Pochmann.

E nas atividades informais urbanas há ingresso crescente de trabalhadores com escolaridade superior a 11 anos. Em 1985, quase 75% dessas ocupações eram preenchidas por trabalhadores que não haviam concluído o ensino médio, mas no ano de 2005, diminuiu para metade (50,7%) o número dos ocupados informais nessa condição de escolaridade, segundo o pesquisador.

Jovens recém-formados nas universidades também crescem dentro do mercado informal e são os mais prejudicados por não conseguirem ingressar na mão-de-obra formalizada. “Nada menos que um terço dos trabalhadores atualmente na informalidade é formado por universitários, que atuam como free lancers, consultores ou estagiários. Isso é uma tendência”, comenta o economista.

Para ele, o Brasil presencia uma “fuga de cérebros”. A cada ano, 120 mil universitários deixam o País em busca de oportunidades. Em 2006, eles transferiram US$ 9 milhões do Brasil para o exterior. “Atualmente, cerca de quatro milhões de brasileiros tentam a vida no exterior”, diz Pochmann.

A pesquisa constatou também alteração na evolução da faixa etária dos ocupados informais urbanos. Em 2005, quase 40% dos ocupados informais tinham 40 anos ou mais, enquanto em 1985 eles correspondiam a menos de 30% do número total.

Remuneração – Se uma das mudanças no mercado de trabalho é a escolaridade mais próxima entre formais e informais, a remuneração entre os dois grupos se distancia. O trabalho informal cresce mais que o formal, mas seu nível de remuneração está se depreciando em maior grau. Enquanto a quantidade de trabalhadores informais urbanos cresceu 88,5%, passando de 17,7 milhões, em 1985, para 33,4 milhões, em 2005, houve queda de 20,5% no rendimento médio real (de R$ 653,22, em 1985, para R$ 519,42, em 2005). O tamanho do contingente de assalariados formais no período aumentou 62,2% (de 20,5 milhões, em 1985, para 33,2 milhões, em 2005), com redução de 8,3% no salário médio (de R$ 1.243,24, em 1985, para R$ 1.139,47, em 2005).

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