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Flagelo Nacional

Guarulhos, 18 de junho de 2003

arteA ladainha é conhecida de todos os empresários. Quase que diariamente é preciso buscar ou levar guias de recolhimento de impostos ao contador. Os livros de contas a pagar e a receber devem ser preenchidos periodicamente. Dia sim, e o outro também, é necessário fazer a conciliação financeira da conta bancária com as despesas da firma. Sem falar no controle de férias de funcionários, na emissão de notas fiscais, no preenchimento de guias, no cumprimento de normas trabalhistas e na constante vigilância para não deixar de pagar nenhum tributo. É um ir e vir interminável de papéis entre a empresa e o escritório de contabilidade.

A barafunda tributária em vigor no Brasil exige tempo, fôlego, paciência e boa memória do empreendedor. Essa corrida maluca para cumprir as exigências burocráticas acaba roubando a energia necessária ao crescimento do negócio. E é, aparentemente, um esforço inútil para se manter na legalidade, pois as dezenas de regras mudam quase todo dia. Segundo estudos do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), cerca de 300 novas normas são editadas ou reeditadas anualmente. Para pequenos empresários o desgaste é ainda maior. Eles não têm estrutura para atender às crescentes demandas legais. Alguns consultores entendem que nem a reforma tributária, em tramitação no Congresso, solucionará o problema. “Está claro que tão cedo não haverá redução da carga', diz Wagner Rouchai, consultor empresarial. “Conseqüentemente, é difícil crer em diminuição da burocracia', completa.

Papéis em ordem
15 ações práticas que facilitam a convivência com a burocracia

1 – Procurar ter sempre organizada toda a documentação da empresa. Recorra a um software de gestão se for necessário.

2 – Criar rotinas e procedimentos específicos para preenchimento, envio e pagamento de tributos.

3 – Designar pessoas com a função específica de cuidar da papelada.

4 – Treinar os profissionais que vão atuar com a parte fiscal e legal da organização.

5 – Manter todos os documentos em arquivo, mas só permitir que funcionários credenciados tenham acesso a eles.

6 – Acostumar-se a registrar e contabilizar todas as ações da firma. Isso vale também para o registro de marcas e patentes.

7 – Elaborar e revisar trimestralmente o seu planejamento tributário a fim de detectar falhas ou aproveitar brechas legais.

8 – Proporcionar, sempre que possível, cursos de atualização na área fiscal aos funcionários que cuidam dela.

9 – Estabelecer uma rotina que lhe permita ter pelo menos uma reunião mensal com o contador da empresa.

10 – Fazer simulações anuais projetando alterações no regime tributário usado para ver se há vantagens em alterá-lo.

11 – Ter, mesmo que embrionário, um plano de cargos e salários para acompanhar os gastos com folha e os encargos sociais.

12 – Revisar, todo início de ano, o contrato social para checar se não há arranjos societários menos burocráticos.

13 – Contratar periodicamente os serviços de uma assessoria jurídica de maneira a confirmar se não está incorrendo em algo ilegal. Nem sempre um contador tem essa competência.

14 – Evitar cair na tentação de usar métodos ilegais para contornar a burocracia ou o Fisco.

15 – Tirar o maior proveito possível da tecnologia da informação para cumprir as exigências fiscais.