Depois de investir pesado para aumentar o volume de empréstimos para pessoas físicas, as financeiras agora querem conquistar também pessoas jurídicas de pequeno porte como clientes. A Fininvest, financeira do grupo Unibanco, deu o pontapé inicial nesse novo nicho de mercado ao oferecer em seus pontos de venda empréstimos na modalidade de microcrédito para micro e pequenas empresas que operam há pelo menos um ano.
“Trata-se de uma linha de crédito para que o pequeno empresário amplie seu capital de giro, invista na compra de ativos fixos como equipamentos e maquinário ou possa ampliar, reformar e reestruturar o seu negócio”, explica o gerente de microfinanças da Fininvest, Danilo Marques.
As operações de empréstimo têm valores entre R$ 5 mil e R$ 20 mil. As taxas de juros variam de acordo com o ramo da empresa, oscilando entre 3,6% e 4,2% ao mês. Nos bancos, a taxa média mensal cobrada nos contratos de capital de giro está em torno de 5,5%.
Expansão ” Oferecido no mercado desde outubro de 2003, o microcrédito da Fininvest tem registrado um crescimento operacional de 30% ao mês em volume, de acordo com Marques. Somente nessa linha a Fininvest já emprestou cerca de R$ 7 milhões em Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo, cidades em que o produto está disponível.
Até o final do ano o crédito deve estar disponível também em Minas Gerais, Espírito Santo e no interior de São Paulo. “Nossa expectativa é que o volume de operações tenha aumento de mais de 50% em 2005, alcançando o montante total de R$ 15 milhões até o final do ano”, comenta Marques.
O significativo crescimento no total de empréstimos concedidos, ainda segundo o gerente, deve acontecer pelo aumento da comunicação da empresa com o empreendedor, pela ampliação do número de cidades atendidas e também pelo incentivo do governo às operações de microcrédito.
Alternativa ” Mesmo não oferecendo crédito para micro e pequenas empresas por enquanto, as demais financeiras acabam, ainda que indiretamente, sendo um caminho alternativo para o pequeno empresário que está em busca do financiamento. Isso acontece pela liberação de crédito pessoal em nome do pequeno empresário como pessoa física e com garantias pessoais, nunca da empresa. Nessa operação, as financeiras aceitam como comprovante de rendimento a declaração anual do imposto de renda da empresa de que o cliente for proprietário ou sócio.
“O cliente pode utilizar o dinheiro que está tomando emprestado da forma que quiser. Não temos como exigir que ele comprove a finalidade do empréstimo. Não temos intenção de entrar no segmento de crédito para pessoas jurídicas e o comprovante de rendimento em nome da empresa só é aceito se ficar comprovado que aquela é a fonte de renda real do solicitante”, diz o gerente de Produto Crédito Pessoal da BV Financeira, Miguel Vicente Puigcerver.
“O crédito que concedemos é pessoal e todas as garantias têm que ser dadas pela pessoa física. Os cheques para pagamento do financiamento, por exemplo, não podem ter o nome da empresa em hipótese alguma”, ressalta.
Para que esse tipo de comprovação de renda seja aceito na BV, existe, no entanto, a exigência de que a empresta esteja operando há pelo menos dois anos no mercado. As demais financeiras também aceitam a declaração de renda de empresa como forma de comprovação de renda do cliente que quer obter um empréstimo pessoal.
Vanessa Jaguski